Por Jeff Franks HAVANA (Reuters) - O ex-presidente cubano Fidel Castro, mostrando renovado vigor nos últimos dias, criticou nesta sexta-feira a decisão da União Européia de retirar sanções contra Cuba e demandar, em troca, que o país melhore seu histórico quanto a direitos humanos.

Em uma curta porém ríspida coluna divulgada na Internet, Fidel, de 81 anos, acusou o bloco de 'enorme hipocrisia' e chamou as ações de 'depreciativas'.

'Na minha idade e com o meu estado de saúde, a pessoa nunca sabe quanto tempo mais irá viver, mas a partir de agora eu quero escrever meu desprezo pela enorme hipocrisia que cerca a decisão', afirmou Fidel, que não tem aparecido muito na mídia após uma cirurgia feita há dois anos.

Enquanto as nações da UE dizem que Cuba precisa melhorar sua performance de direitos humanos e soltar prisioneiros políticos, eles maltratam imigrantes ilegais da América Latina usando 'métodos brutais' para expulsá-los, escreveu Fidel, que continua comandando o Partido Comunista da ilha caribenha.

'De Cuba, em nome dos direitos humanos, eles pedem impunidade àqueles (dissidentes) que tentaram entregar a sua terra natal e o seu povo ao imperialismo', disse, referindo-se aos Estados Unidos.

Na quinta-feira, a UE retirou sanções diplomáticas impostas contra Cuba em 2003 em resposta à prisão de 75 dissidentes. As sanções foram suspensas em 2005, mas continuaram sendo um assunto delicado nas relações Cuba-União Européia.

Ao retirar as sanções, que apenas congelaram visitas diplomáticas de alto escalão, os membros da UE dizem que esperam impulsionar as reformas em Cuba, iniciadas desde que Raúl Castro formalmente substituiu seu irmão mais velho, Fidel, como presidente, em fevereiro.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque, disse à Reuters na quinta-fera que a eliminação das sanções eram 'um passo na direção correta', mas afirmou que o governo não daria uma resposta oficial até a próxima semana.

Fidel minimizou a decisão da UE, dizendo que ela 'absolutamente não tem conseqüência econômica alguma para o nosso país'.

A coluna de Fidel, que abrangeu vários assuntos, da crise mundial de alimentos ao aquecimento global e ao tráfico de seres humanos, encerrou uma agitada semana para o homem que liderou Cuba durante 49 anos, mas que não é visto em público desde julho de 2006, quando sofreu uma cirurgia para tratar uma doença intestinal que não havia sido divulgada.

Ele teve três encontros conhecidos, dois deles com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e outro com o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e foi mostrado na televisão em um de seus encontros com Chávez.

Esse vídeo mostrou um Fidel magro, porém animado, e colocou fim a rumores de que ele estava morto ou estava morrendo após um longo período sem aparição na TV, sendo que a última vez havia sido em meados de janeiro.

Desde a sua cirurgia, quando provisoriamente entregou o poder a Raúl Castro, o governo diz que ele está envolvido nas decisões políticas. Entretanto, Fidel é visto apenas em vídeos e fotografias ocasionais, e também escreve colunas em jornais.

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