Fidel completa 84 anos de volta à vida pública

Após cerca de quatro anos afastado, ex-presidente cubano faz frequentes aparições e provoca discussão sobre seu papel no governo

iG São Paulo |

O ex-presidente cubano Fidel Castro completa 84 anos nesta sexta-feira, cerca de um mês após ter retornado à vida pública . Frequentes aparições na imprensa e um discurso na Assembleia Nacional encerraram um período de reclusão iniciado em 2006, quando Fidel se licenciou do cargo de presidente e foi submetido a uma cirurgia no intestino. Dois anos depois, alegando motivos de saúde, ele renunciou oficialmente e transferiu o poder ao irmão, Raúl.

Desde o início de julho, porém, Fidel participou com frequência de eventos e reuniões amplamente divulgadas pela imprensa estatal. Em agosto, ele lançou um livro de quase 900 páginas sobre a Revolução que o levou ao poder e discursou em uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional, convocada por ele mesmo.

O discurso, que foi aberto à imprensa estrangeira, durou 12 minutos. Fidel entrou e saiu do plenário caminhando devagar e usando o braço de uma assistente, mas tem boa aparência e se diz "completamente recuperado".

O retorno de Fidel provocou discussões sobre o papel que ainda desempenharia na direção do país. Em suas recentes aparições, o líder cubano falou sobre temas internacionais, como a tensão nas Coreias e as divergências entre Estados Unidos e Irã, mas evitou assuntos relacionados à política interna. Isso fez com que alguns analistas defendessem a teoria de que os irmão Castro fazem uma espécie de "divisão de papéis": Raúl lida com as questões domésticas, Fidel se concentra nas questões internacionais.

A oposição, porém, chama atenção para o fato de que o retorno de Fidel ocorreu no dia 7 de julho, em meio ao anúncio da libertação de 50 presos políticos cubanos. Para o dissidente Guillermo Fariñas, que fez uma greve de fome de 135 dias para exigir tais libertações, o reaparecimento de Fidel Castro foi um " aval indireto " à decisão.

Perfil

Filho de um bem-sucedido produtor de cana de açúcar, Fidel nasceu em uma fazenda na cidade de Bíran, sul de Cuba, e cursou Direito na Universidade de Havana.

Em 1953, liderou um grupo de rebeldes no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, numa tentativa de derrubar o governo do general Fulgencio Batista (1940-1944 e 1952-1959). A ofensiva frustrada culminou na prisão de Fidel, libertado em 1955 por anistia presidencial.

No mesmo ano, durante exílio no México, conheceu o revolucionário comunista argentino Ernesto “Che” Guevara. Ao lado dele e de outros revolucionários – incluindo Raúl Castro – Fidel voltou a Cuba para novos confrontos com o Exército e, em 1959, derrubou o regime de Batista.

Logo depois, Fidel assumiu o poder e, em 1961, anunciou o caráter socialista da revolução. Milhares de cubanos partiram para o exílio e denunciaram a repressão aos direitos humanos sob o novo governo. O regime de Castro resistiu a medidas de pressão como o embargo econômico imposto pelos EUA e também ao colapso da União Soviética (1922-1991), que serviu como “protetora” da ilha.

Apesar de ter deixado a presidência do país, Fidel continua sendo o primeiro-secretário do governante Partido Comunista e é deputado da Assembleia Nacional.

Com EFE e AFP

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