Fidel chama de desleal acordo militar entre Colômbia e EUA

Havana, 10 ago (EFE).- O líder cubano Fidel Castro qualifica como deslealdade o acordo para que militares dos Estados Unidos utilizem bases colombianas, porque podem ser usadas para agressões a outros países latino-americanos, segundo escreveu em novo artigo das Reflexões.

EFE |

Para Fidel, são um "insulto à inteligência" os argumentos dados pelos Governos desses dois países para justificar o acordo, porque "o verdadeiro objetivo é o controle dos recursos econômicos, o domínio dos mercados e a luta contra as mudanças sociais".

"A história não perdoará os que cometem essa deslealdade contra seus povos, nem os que utilizam como pretexto o exercício da soberania para justificar a presença de tropas americanas", diz o ex-presidente em sua coluna, divulgada pela imprensa oficial.

"A que soberania se referem? A conquistada por Bolívar, Sucre, San Martín, O'Higgins, Morelos, Juárez, Tiradentes, Martí? Nenhum deles jamais teria aceitado tão repudiável argumento para justificar a concessão de bases militares às Forças Armadas dos Estados Unidos", acrescenta.

Adverte que "seria uma grande tragédia" que Washington utilizasse as bases colombianas "para provocar um conflito armado entre dois povos irmãos".

Segundo Fidel, "as forças americanas poderiam promover uma guerra suja como fizeram na Nicarágua, inclusive empregando soldados de outras nacionalidades treinados por eles, e poderiam atacar algum país, mas dificilmente o povo guerreiro, valente e patriótico da Colômbia se deixe arrastar à guerra contra um povo irmão como o da Venezuela".

"Enganam-se os imperialistas se subestimam os povos da América Latina. Nenhum estará de acordo com as bases militares americanas, nenhum deixará de ser solidário com qualquer povo latino-americano agredido pelo imperialismo", acrescenta o artigo.

Também rejeita que o acordo se justifique pela luta contra o narcotráfico e diz que "o império deveria lutar contra as drogas dentro de suas fronteiras e não nos territórios latino-americanos".

"A luta contra as drogas é um pretexto para estabelecer bases militares em todo o hemisfério. Desde quando os navios da IV Frota e os aviões modernos de combate servem para combater as drogas?", pergunta Fidel, que completará 83 anos na próxima quinta-feira.

"Como consequência da guerra movida pelo tráfico de drogas, na qual o México emprega 36 mil soldados, quase 4 mil mexicanos morreram em 2009", afirma o ex-presidente cubano, que não aparece em público desde 2006.

"O fenômeno se repete em maior ou menor grau no resto da América Latina", continua. "As drogas não só causam problemas graves de saúde, mas também causam a violência que rasga o México e a América Latina, como consequência do mercado insaciável dos Estados Unidos".

EFE am/fk-an

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