Fidel Castro, símbolo decadente da revolução cubana

Último caudilho histórico do comunismo, Fidel Castro, de 82 anos, chega a meio século de revolução cubana, gravemente doente e afastado do poder, mas ainda ocupando o posto de vigilante ideológico da ilha, sempre bradando impropérios contra os Estados Unidos.

AFP |

Admirado e odiado, equivocado para alguns e herói para outros, orador das massas e ditador do "paredão", Fidel não poderá comparecer ao ato comemorativo de sua façanha revolucionária na próxima quinta-feira, que celebrará os 50 anos da queda do ditador Fulgencio Batista.

Sua ausência, no entanto, não chega a ser uma surpresa, já que, por motivos de saúde, o ex-presidente não aparece em público há dois anos e meio. Neste período, tem se manifestado através de cartas, artigos em jornais e eventuais vídeos, nos quais aparece em trajes esportivos, ao invés da farda verde-oliva que o caracterizou durante todo seu tempo como presidente.

Seu irmão, Raúl, que em fevereiro deste ano assumiu definitivamente a presidência em seu lugar, apresentará a cerimônia no parque de Santiago de Cuba, 900 km a sudeste da capital Havana, onde, em 1º de janeiro de 1959, um pequeno grupo de guerrilheiros proclamou sua vitória sobre o regime vigente.

Na América Latina, sua trajetória hoje serve de inspiração para governantes de orientação esquerdista, como Hugo Chávez, na Venezuela, Evo Morales, na Bolívia, e Rafael Correa, no Equador, que se empenham em implantar o que chamam de "socialismo do século XXI".

Aos olhos do mundo democrático, porém, Fidel estabeleceu um regime totalitário e repressor, que apenas agora, com Raúl, começa aos poucos a se abrir. Em cinco décadas, mais de 1,5 milhão de cubanos deixou a ilha por motivos políticos ou econômicos.

Filho de um imigrante galego e de uma camponesa cubana, Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu no dia 13 de agosto de 1926 em Birán, sudeste de Cuba. Na infância, estudou em colégios católicos jesuítas, que moldaram sua personalidade.

Fidel começou sua longa trajetória de líder das multidões na Universidade de Havana, onde se formou em Direito, integrou grupos políticos clandestinos e iniciou sua luta pessoal contra Batista.

Sua primeira e fracassada tentativa de golpe resultou em sua prisão, após uma tentativa de assalto contra o Quartel Moncada, em julho de 1953. Anistiado e solto, Fidel exilou-se no México, para retornar a Cuba no dia 2 de dezembro de 1956.

Ainda que tenha inicialmente negado ser comunista, Fidel Castro é o arquiteto de um sistema socialista moldado à realidade cubana, inspirado em Marx, Lenin e no herói independentista nacional, José Martí.

Fidel teve oito filhos: Fidelito, com Mirta Díaz-Balart; Alina, com Natalia Revuelta; Jorge Angel, com María Laborde; e Alejandro, Alex, Antonio, Alexis e Angel, com Dalia Soto del Valle. Sua vida privada, no entanto, é cercada de mistério até hoje.

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