Fidel Castro quer ajudar Obama, diz congressista dos EUA

WASHINGTON - Fidel Castro demonstrou estar saudável e perguntou como a liderança em Cuba poderia ajudar mais o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a normalizar as relações entre os dois países, disseram dois congressistas norte-americanos nesta terça-feira após encontro com o ex-presidente cubano, de 82 anos, em Havana.

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"Claro, ele esteve doente. Mas acredito que concordamos que ele estava muito saudável, muito ativo, muito lúcido", disse a deputada norte-americana Barbara Lee, uma dos três democratas que se encontraram com Fidel, durante uma coletiva de imprensa em Washington.

A deputada Laura Richardson afirmou que Fidel Castro parecia estar ansioso para ver a mudança nas relações entre os dois países.

"Ele estava bem consciente sobre o que estava acontecendo", disse Richardson. "Quando ele se aproximou, olhou diretamente nos nossos olhos, bem consciente do que estava acontecendo, e nos disse 'Como podemos ajudar o presidente Obama?'".

A visita dos congressistas americanos a Cuba ocorre em um momento de possíveis mudanças nas relações entre EUA e Cuba, fomentadas pelas promessas do presidente Barack Obama de tomar medidas na direção de normalizar os laços com a ilha situada a 145 quilômetros da Flórida.

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Raúl Castro conversa com congressistas americanos

Raúl Castro conversa com congressistas americanos

Mas os passos nessa direção podem ser dificultados pela oposição de membros da poderosa comunidade cubano-americana e de aliados políticos que observam o governo comunista de Havana com profunda desconfiança.

Segundo um comunicado oficial, Raúl Castro reiterou aos congressistas sua disposição em dialogar com "igualdade" e "respeito". Foi a primeira vez que ele recebeu legisladores americanos desde que assumiu o governo cubano, em julho de 2006.

'Chegou a hora'

Após a reunião, os congressistas americanos disseram estar convencidos de que Raúl quer pôr fim aos 50 anos de hostilidades entre os dois países. "Chegou a hora de dialogar com Cuba. O momento é agora", disse Barbara Lee.

"Todos nós estamos convencidos de que o presidente Castro gostaria de estabelecer relações normais e veria a normalização, com o fim do embargo, como benéfica para ambos os países", disse Lee a jornalistas. Os EUA mantêm um embargo comercial contra Cuba desde 1962.

"Foi uma reunião muito boa. Foi muito aberta e discutimos uma ampla série de assuntos", afirmou Lee, que preside o Congressional Black Caucus (organização de parlamentares afro-descendentes da Câmara dos Representantes dos EUA).

O encontro foi notícia de primeira página da edição de terça-feira do jornal Granma, do Partido Comunista, que disse que a discussão cobriu vários tópicos "com ênfase na possível evolução futura de relações bilaterais e laços econômicos".

Uma coluna escrita por Fidel Castro e publicada no mesmo jornal afirma que Cuba não teme dialogar com os EUA e elogia o "gesto" dos representantes democratas.

"Não tememos dialogar com os Estados Unidos", escreveu Fidel, que se afastou do poder por motivos de saúde. "Tampouco precisamos da confrontação para existir, como pensam alguns tontos".

* Com AFP e Reuters


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