Fidel Castro insiste em que posição cubana sobre os EUA não mudou

O fundador do regime cubano Fidel Castro fez questão nesta quarta-feira de afirmar que a posição de seu país não mudou e que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, interpretou mal a proposta de dialogar sobre tudo apresentada por seu irmão Raúl.

AFP |

Em Washington, porém, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, considerou estas declarações de Fidel como uma prova das dissensões existentes entre ele e Raúl, últimos expoentes de um regime "que está entrando na reta final".

Na semana passada, Raúl Castro, 77 anos, reiterou a disposição de "dialogar sobre tudo" com Washington, inclusive sobre os prisioneiros políticos. Estas declarações foram "mal interpretadas" por Obama, afirmou num editorial Fidel Castro, 82 anos, que, doente, cedeu o poder a seu irmão caçula em julho de 2006, mas que continua muito presente e influente.

Em virtude dos "princípios da Revolução" de 1959, Raúl Castro queria na verdade, segundo Fidel, reiterar a disposição de "absolver" os 75 militantes da oposição detidos em 2003, 54 dos quais permanecem presos até hoje, e a "enviá-los aos Estados Unidos, se este país estiver disposto a libertar os cinco heróis antiterroristas cubanos".

A proposta já foi rejeitada por Washington em dezembro passado.

Fidel acusou novamente os militantes da oposição de serem "iguais aos mercenários da Baía dos Porcos, a serviço de uma potência estrangeira que ameaça nosso país". O líder cubano se referia à frustrada tentativa de invasão comandada por anticastristas cubanos apoiados pela CIA em 1961.

O 'Comandante' também rejeitou a ideia de reduzir a comissão de 20% imposta pelo Estado cubano a cada dólar trocado na ilha, como sugerira Obama durante a Cúpula das Américas, no fim de semana passado.

O presidente dos Estados Unidos disse esperar um "gesto" de Havana, depois de sua decisão de suprimir as restrições às viagens e remessas a Cuba dos americanos de origem cubana.

Declarando-se aberto a um diálogo com Cuba, Obama destacou, no entanto, que não está disposto a ceder sobre temas tão "importantes" quanto os direitos e liberdades.

Os Estados Unidos exigem que Cuba faça progressos em matéria de democracia e de respeito dos direitos humanos para levantar o embargo imposto à ilha desde 1962.

Fidel Castro ainda criticou as posições de alguns dirigentes latino-americanos durante a Cúpula das Américas, da qual Cuba não participou.

"As posições abjetas de alguns dirigentes latino-americanos incentivaram a atitude arrogante" do presidente Obama durante a cobferência, escreveu o líder cubano em seu editorial, sem citar nomes.

Terça-feira, Fidel criticou a "euforia" suscitada pela cúpula.

Até o presidente venezuelano Hugo Chávez, maior aliado do regime cubano, considerou positiva sua primeira reunião com Obama.

Para o dissidente moderado Oscar Espinosa Chepe, alguns dirigentes cubanos marcados por 50 anos de confronto com os Estados Unidos "simplesmente não querem se aproximar" deste país.

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