Fidel Castro exalta firmeza de ex-líder das Farc, mas critica sua estratégia

Havana, 13 nov (EFE).- O ex-presidente cubano Fidel Castro enalteceu o falecido guerrilheiro colombiano Pedro Antonio Marin, conhecido como Manuel Marulanda Vélez ou Tirofijo, mas afirmou que discorda da estratégia que ele utilizava.

EFE |

Fidel também criticou os seqüestros e o tratamento que o grupo dá aos prisioneiros, segundo seu último livro, que circula desde hoje em Havana e na internet.

"Eu discordava com o chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pelo ritmo que atribuía ao processo revolucionário e por sua idéia de guerra excessivamente prolongada", explicou o ex-presidente cubano em "La Paz en Colombia", que pode ser lido no site cubadebate.cu.

"Sua concepção de criar primeiro um Exército de mais de 30 mil homens, do meu ponto de vista, não era correta nem financiável para o propósito de derrotar as forças adversárias em uma guerra irregular", destacou Fidel.

No entanto, admite que Tirofijo "fez coisas extraordinárias com unidades guerrilheiras que, sob sua direção, penetravam na profundidade do terreno inimigo".

Ele afirma que "em uma ocasião, esteve dois anos percorrendo a metade da Colômbia" com 40 homens.

Segundo o livro, no qual diz ter investido "mais de 400 horas de trabalho intenso", Fidel enaltece "a firmeza revolucionária" do guerrilheiro que foi morto em março passado, "e sua disposição a lutar até a última gota de sangue".

"A idéia de se render nunca passou pela mente daqueles que desenvolvem uma luta guerrilheira em nossa pátria e jamais um lutador verdadeiramente revolucionário deve depor as armas. Assim pensava há mais de 55 anos. Assim penso hoje", afirmou o ex-presidente cubano.

"Mas as Farc nunca cercaram nem obrigaram a rendição a batalhões completos, experiência que nós chegamos a conhecer", acrescentou o ex-presidente de 82 anos, que não aparece em público desde julho de 2006 por motivos de saúde.

Fidel reafirmou sua oposição a tratar os guerrilheiros "como prisioneiros de guerra, a aplicar políticas que os humilhem ou a submetê-los às duras condições da selva", porque "desse modo nunca renderão as armas", mesmo que o combate esteja perdido.

"Também não estava de acordo com a captura e a retenção de civis alheios à guerra", acrescentou Fidel, que explica que se opôs à utilização de reféns porque "diminuem a capacidade de manobra dos combatentes".

Fidel disse que Tirofijo e ele tiveram em comum "a ausência inicial de uma ideologia revolucionária", porque "ninguém nasce com ela", e também não tinham um programa para tornar a construção do socialismo realidade.

O livro contém severos ataques aos Estados Unidos, país ao que acusa de ter feito intervenções durante mais de um século e meio nos assuntos internos da América Latina, arrebatando territórios, saqueando os recursos naturais, agredindo sua cultura e impondo uma troca desigual.

"Durante os últimos 50 anos, os golpes militares e as tiranias sangrentas promovidos pelos EUA significaram centenas de milhares de desaparecidos, torturados e assassinados no continente", afirmo.

Em relação ao presidente George W. Bush, que deixará a Casa Branca em janeiro, ele destacou o que qualificou de "negligência" do chefe de Estado e as "deficiências dos corpos de segurança de seu Governo" nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Sobre o narcotráfico, Fidel afirma que ele foi originado pela "enorme demanda nos EUA, que as autoridades nunca se decidiram a combater com energia, enquanto atribuíam essa tarefa unicamente aos países onde a pobreza e o subdesenvolvimento impulsionavam massas de camponeses a cultivar a folha de coca ou a papoula".

Ele relata que o segundo líder das Farc, Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes" - morto em março no Equador - contou a José Arbesú, chefe do departamento da América do Comitê Central do governista Partido Comunista de Cuba, que o Governo americano entrou em contato com esse grupo rebelde "para lutar contra as drogas".

No livro, Fidel também comenta que "para pedir tal 'cooperação' as Farc não eram terroristas". EFE am/ab/plc

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