Havana, 25 jul (EFE).- O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou que Cuba está satisfeita com o fato de que a Coréia do Norte tenha posto fim ao seu programa de armas nucleares, uma decisão que disse representar um gesto desse país para a China, e não para os Estados Unidos.

"A declaração da Coréia do Norte sobre a disposição de suspender seu programa de armas nucleares nos satisfaz. Isto não tem nada a ver com os crimes e chantagens de Bush, que agora se gaba da declaração coreana como um sucesso de sua política de genocídio", aponta Castro em um artigo publicado hoje na imprensa local.

O líder cubano afirma que "o gesto da Coréia do Norte não era para o Governo dos Estados Unidos, perante o qual nunca cedeu, mas para a China, país vizinho e amigo, cuja segurança e desenvolvimento é vital para os dois Estados".

"Quando aconteceu, há cerca de um ano, o teste pertinente, transmitimos ao Governo da Coréia do Norte nosso ponto de vista sobre o dano que isso poderia ocasionar aos países pobres do Terceiro Mundo que travam uma luta desigual e difícil contra os planos do imperialismo", afirma.

Castro, que completará 82 anos no próximo mês, acrescenta que "talvez não fosse necessário fazê-lo" porque o presidente Kim Jong Il "tinha decidido de antemão o que devia fazer, levando em conta os fatores geográficos e estratégicos da região".

Em sua opinião, "interessa aos países de Terceiro Mundo a amizade e cooperação entre a China e as duas partes da Coréia", embora a união dessas duas nações não tenha que ser feita "necessariamente uma a custa da outra, como ocorreu na Alemanha".

"Passo a passo, sem pressa, mas sem descanso, como corresponde à sua cultura, continuará tecendo os laços que unirão as duas Coréias", acrescenta.

O programa de desnuclearização da Coréia do Norte inclui um mecanismo de verificação do arsenal desse país e o compromisso de Pyongyang de desmantelar seu principal reator em outubro.

A Coréia do Norte comunicou aos EUA, em meados de julho, o fechamento de seu reator nuclear em Yongbyon, depois que Pyongyang entregou à China a declaração sobre suas atividades e instalações nucleares. EFE arj/bm/gs

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