Fidel Castro diz que 'ressuscitou' em mundo de loucos após doença

Entrevista com ex-líder cubano foi publicada nesta segunda-feira por jornal mexicano La Jornada

iG São Paulo |

O ex-líder cubano Fidel Castro afirmou que, após a grave doença que o manteve quatro anos afastado da vida pública, ele "ressuscitou" em um "mundo de loucos".

Reuters
Fidel Castro concedeu entrevista de cinco horas para Carmen Lira, diretora do mexicano La Jornada
Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal mexicano "La Jornada", o ex-líder cubano falou por cinco horas de duração à jornalista e diretora do veículo mexicano, Carmen Lira.

Essa foi a primeira entrevista de Fidel a um jornal impresso estrangeiro desde sua reaparição pública há 40 dias. Depois da melhora de seu estado de saúde, o ex-líder disse que começou "a ver bem claro os problemas da tirania mundial crescente", entre os quais a "iminência de um ataque nuclear que provocaria a conflagração mundial".

Frequentes aparições na imprensa e um discurso na Assembleia Nacional encerraram um período de reclusão iniciado em 2006, quando Fidel se licenciou do cargo de presidente e foi submetido a uma cirurgia no intestino. Dois anos depois, alegando motivos de saúde, ele renunciou oficialmente e transferiu o poder ao irmão, Raúl. Em agosto, ele lançou um livro de quase 900 páginas sobre a Revolução que o levou ao poder e discursou em uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional, convocada por ele mesmo.

O retorno de Fidel provocou discussões sobre o papel que ainda desempenharia na direção do país. Em suas recentes aparições, o líder cubano falou sobre temas internacionais, como a tensão nas Coreias e as divergências entre Estados Unidos e Irã, mas evitou assuntos relacionados à política interna. Isso fez com que alguns analistas defendessem a teoria de que os irmão Castro fazem uma espécie de "divisão de papéis": Raúl lida com as questões domésticas, Fidel se concentra nas questões internacionais.

A oposição, porém, chama atenção para o fato de que o retorno de Fidel ocorreu no dia 7 de julho, em meio ao anúncio da libertação de 50 presos políticos cubanos. Para o dissidente Guillermo Fariñas, que fez uma greve de fome de 135 dias para exigir tais libertações, o reaparecimento de Fidel Castro foi um " aval indireto " à decisão.

*Com EFE e AFP

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