Fidel Castro completa 83 anos e continua forte em Cuba

HAVANA - O líder cubano Fidel Castro comemorou nesta quinta-feira seu aniversário de 83 anos com uma sombria advertência sobre a crise econômica mundial e a promessa de seguir adiante.

Redação com agências internacionais |

Em um texto publicado pelo jornal Granma, Fidel apresenta aos cubanos um obscuro panorama sobre a crise que atinge o mundo e a ilha que governou durante quase meio século.

"Alguns falam que a crise econômica é o fim do imperialismo. Talvez deve ser questionada se não significa algo pior para nossa espécie", escreveu. "Na minha opinião, o melhor sempre será ter uma causa justa a defender e a esperança de seguir adiante", acrescentou.

AP
Fidel ao lado do seu irmão, Raúl Castro
Fidel ao lado do seu irmão, Raúl Castro
Embora seu irmão mais novo, Raúl Castro, que tem 78 anos, o tenha substituído como presidente no ano passado, Fidel continua a ser uma voz internacional poderosa para Cuba, por meio de colunas regulares que escreve para jornais estatais.


Seu papel no governo de Cuba é menos claro, mas é de conhecimento geral que Raúl dirige os assuntos do dia-a-dia consultando Fidel.

"É ainda, acredito, uma parceria, mas Raúl é agora o parceiro mais importante," disse Brian Latell do Instituto para Assuntos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami. "Fidel não tem mais condições de envolver-se nos assuntos do dia-a-dia".

Revolução e doença

Filho de um galego chamado Ángel Castro, que guerreou no lado perdedor quando Cuba se emancipou da Espanha e voltou como comerciante, Fidel Alejandro Castro Ruz é o quinto dos nove filhos que seu pai teve com duas cubanas, os dois primeiros de sua esposa Maria Luisa Argota, os outros da camponesa Lina Ruz.

Fidel liderou a revolução que derrubou o ditador Fulgencio Batista em 1º de janeiro de 1959 e comandou o país por 49 anos, até ser submetido a uma cirurgia de emergência para um problema intestinal não revelado, em julho de 2006.


Fidel liderou a guerrilha contra Fulgêncio Batista / AP

Construiu um sistema comunista tropical com ideias de Marx e Lenin, referências de independentistas cubanos como José Martí, inspirações nas trajetórias de lideranças caudilhistas latino-americanas e contribuições próprias: o único Estado do chamado "socialismo real" das Américas, localizado a pouco mais de 100 quilômetros dos Estados Unidos.

Ele cedeu o poder provisoriamente a Raúl Castro e deixou de ser visto. Em fevereiro de 2008, Fidel renunciou oficialmente, por razões de saúde, permitindo que seu irmão o substituísse na presidência do país.

Desde a cirurgia Fidel só tem sido visto em vídeos e fotografias com líderes que visitam Cuba, mas assumiu uma espécie de papel de "consciência do comunismo" em aproximadamente 250 colunas que escreveu de sua semirreclusão em um local não revelado.

Nas últimas semanas, Fidel escreveu principalmente sobre o golpe que derrubou o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, e o plano dos Estados Unidos de usar bases militares na Colômbia. Cuba quer o retorno de Zelaya ao poder.

Fidel também minimizou as medidas adotadas este ano pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para melhorar os laços com Cuba e deixou muito claro que Washington não deve esperar concessões de Havana. "O adversário não deveria nunca ter a ilusão de que Cuba vai se render," escreveu ele em abril.


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