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Fidel Castro chama OEA de repugnante e instrumento odioso dos EUA

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro assegurou nesta sexta-feira que a Organização dos Estados Americanos (OEA) desempenha um papel repugnante como odioso instrumento da política hegemônica dos Estados Unidos.

EFE |

Em um dos dois artigos publicados nos meios de imprensa da ilha, todos oficiais, Castro ataca de novo a OEA e seu secretário-geral, o chileno Miguel Insulza, e desqualifica sua proposta para o retorno de Havana a esse organismo.

Segundo ele, houve uma grande pressão contra o embargo econômico aplicado pelos EUA a Cuba durante a Cúpula das Américas do fim de semana passado, e Insulza foi forçado a oferecer uma fórmula para o retorno da ilha à organização.

Fidel Castro lembra que seu irmão Raúl, ao qual cedeu o comando do país há 14 meses, "declarou categoricamente" que Cuba não voltará à OEA.

O artigo, intitulado "Pôncio Pilatos lavou as mãos", afirma que então o secretário da desprestigiada organização começou a preparar o terreno para a participação de Cuba em uma eventual futura Cúpula das Américas.

Acrescenta que a "receita" de Insulza é derrogar a resolução de quase meio século atrás que decidiu suspender a ilha "por razões ideológicas", argumento que o ex-presidente qualifica de "absolutamente risível".

Por outro lado, o novo artigo da série "Reflexões" reitera que Raúl Castro não prometeu a libertação dos presos políticos da ilha, como parecem ter entendido o presidente americano, Barak Obama, o exílio cubano em Miami e boa parte da imprensa internacional.

Perante "um suposto gesto de Obama, que oferecia conversar com Cuba sobre democracia e direitos humanos, (Raúl Castro) lhe respondeu que o Governo de Cuba estava disposto a discutir qualquer tema com ele", diz o ex-governante.

"Entre as demandas de Obama está a libertação dos sancionados a prisão por seus serviços de traição aos Estados Unidos, que ao longo de quase meio século vêm agredindo e bloqueando nossa pátria", acrescenta Fidel Castro, qualificando assim as duas centenas de presos políticos.

"Raúl declarou que Cuba estava disposta a exercer clemência se os Estados Unidos os recebesse e colocasse em liberdade os cinco heróis antiterroristas cubanos", continua o ex-presidente, se referindo aos agentes de Havana presos nos EUA por espionagem.

Fidel Castro assegura que perante essa proposta de seu irmão, "tanto o Governo dos Estados Unidos como a gusanera (como são chamados os dissidentes) dentro e fora de Cuba, reagiram com todo tipo de arrogância".

É a segunda vez nesta semana que Fidel, ainda primeiro-secretário do governante Partido Comunista, esclarece o que seu irmão quis dizer sobre a libertação de presos políticos.

Parentes e porta-vozes dos presos políticos rejeitaram indignados a sua "troca" por "espiões" condenados nos EUA.

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