Fidel Castro ataca UE e afirma que nunca houve tortura em Cuba

Fidel Castro voltou a atacar a União Européia (UE) pelo terceiro dia consecutivo, considerando hipócrita a suspensão das sanções contra Cuba como forma de pressão pelos direitos humanos, enquanto o governo de seu irmão Raúl continua sem expressar qualquer reação à decisão do bloco.

Redação com agências internacionais |

"Nunca torturamos ninguém, nem tiramos a vida de ninguém através de métodos extrajudiciais", disse o convalescente ex-ditador cubano no domingo em um comentário divulgado no site oficial Cubadebate.

Para Fidel, a afirmação de que em Cuba há tortura é uma "calúnia" repetida "milhões de vezes", e que não é uma "brincadeira" sua acusação de que a UE viola os direitos humanos dos imigrantes e cala perante os abusos cometidos pelo governo de George W. Bush.

"Se a Europa toma medidas diplomáticas contra Cuba alegando defender esses direitos, por que não são adotadas medidas contra os Estados Unidos pelo genocídio de Bush no Iraque e pelas milhares de pessoas presas sem julgamento e torturadas durante anos lá e em qualquer parte do mundo"? questionou.

Fidel publicou seus três artigos (na sexta, no sábado e no domingo) depois que os chanceleres dos 27 países membros da UE concordaram na quinta-feira passada em derrubar definitivamente as medidas impostas em 2003 (e suspensas em 2005). A decisão foi adotada oficialmente nesta segunda-feira, depois de adiada a pedido da Suécia por motivos de procedimento.

Afastado do poder há 23 meses por motivos de saúde, Fidel, de 81 anos, qualificou como "uma enorme hipocrisia" a decisão dos chancelers, que estabelece uma revisão anual da suspensão das medidas, sujeita a avanços na área dos direitos humanos registrados na ilha.

Os ministros de Agricultura dos Estados do bloco, reunidos em Luxemburgo, foram os encarregados da ratificação oficial do texto, um trâmite que devia ter sido resolvido esta manhã, mas que só foi concluído à tarde.

A mudança de ordem de uma frase sobre a libertação dos opositores ao regime cubano fez com que a Suécia se negasse a apoiar o texto, pelo temor de que a mensagem às autoridades cubanas fosse menos forte que o pretendido.

Concretamente, na versão do acordo distribuída aos ministros, não se ressaltava a idéia de que a libertação incondicional de todos os opositores presos "continua sendo uma prioridade-chave para a UE".

A exigência de libertação dos dissidentes ficava, além disso, depois do apelo para facilitar a entrada das organizações humanitárias internacionais nas prisões cubanas.

Fontes da Presidência de turno eslovena confirmaram à Agência Efe que o texto aprovado pelos ministros conserva a ordem e redação original, de modo que fica claro que a libertação dos presos é uma "prioridade-chave" e esta apelação aparece antes do pedido de acesso às prisões para as ONGs.

A detenção dos opositores deu origem às sanções impostas pela UE em 2003, congeladas em 2005.

Suécia, República Tcheca e Alemanha foram os países que mantiveram mais reservas até o último momento para dar seu consentimento à suspensão das sanções.

Na quinta-feira passada, a UE decidiu eliminar as sanções a Cuba, por um aparente novo clima político com o presidente Raúl Castro.

No dia seguinte, sete opositores foram detidos na ilha e o ex-líder cubano Fidel Castro escreveu um texto no qual criticava o bloco.

(*Com agências EFE e AFP)

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