Fidel assume culpa pela onda homofóbica em Cuba há 50 anos

Líder cubano se responsabiliza por marginalização de homossexuais e por seu envio a campos agrícolas de trabalho forçado

iG São Paulo |

O ex-presidente cubano Fidel Castro assumiu a culpa pela onda homofóbica lançada por seu governo há quase cinco décadas, quando marginalizou os homossexuais e os enviou a campos de trabalho agrícolas forçados, acusando-os de serem "contrarrevolucionários", disse ao jornal mexicano La Jornada.

Fidel afirmou na segunda parte de uma entrevista publicada nesta terça-feira que é o principal responsável pela perseguição aos homossexuais na ilha há 50 anos e lamentou não ter corrigido essa falha por estar envolvido na defesa do país.

"Sim, foram momentos de grande injustiça, uma grande injustiça! Fomos nós que fizemos, fomos nós... Estou tentando diminuir minha responsabilidade em tudo isso, porque, pessoalmente, não tenho esse tipo de preconceito", acrescentou.

"Escapar da CIA, que comprava tantos traidores, às vezes entre pessoas próximas, não era coisa fácil. Mas, no fim, de todas as formas, se é necessário assumir a responsabilidade, assumo a minha. Não vou jogar a culpa nos outros", afirmou.

Fidel, que acaba de completar 84 anos, reapareceu em público no começo de julho, após quatro anos de reclusão recuperando-se de uma doença.

Na segunda-feira, ele tinha dito, na primeira parte da entrevista ao La Jornada , que chegou a perder a vontade de viver, mas que atualmente se sente ressuscitado e com muito por fazer.

O líder cubano nunca revelou qual foi a doença intestinal que o obrigou a transferir o poder a seu irmão Raúl, em 31 de julho de 2006, e que classificou, no passado, como um segredo de Estado.

"Pense você em como eram os nossos dias nos primeiros meses da revolução: a guerra com os ianques, a questão das armas e, quase simultaneamente, os planos de atentado contra minha pessoa", afirmou. Mas reiterou: "Se alguém é responsável, sou eu", disse, sobre o preconceito contra os homossexuais.

Desde a década de 1990, o homossexualismo vem sendo mais tolerado na ilha, até mesmo por militantes do Partido Comunista, ainda que o assédio aos homossexuais pela polícia não tenha parado completamente.

A psicóloga cubana Mariela Castro Espín, filha do presidente Raúl Castro, converteu-se em uma defensora das minorias sexuais, promovendo, nos últimos anos, cirurgias de mudança de sexo e o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo.

"Estou preparando uma carta para a direção do PCC (Partido Comunista de Cuba), em que solicito que essas pessoas (homossexuais) não sejam discriminadas pela sua orientação sexual ou orientação de gênero", afirmou Mariela em declarações nos últimos meses.

Visita a aquário

Fidel visitou o Aquário Nacional em Havana com o jornalista americano Jeffrey Goldberg, especialista em questões de Israel, a acadêmica americana Julia Sweig e a líder da comunidade judaica em Cuba, informou nesta terça-feira a imprensa de Havana.

Fidel visitou o local pela segunda vez em um mês e meio ao lado de Goldberg, que escreve para a revista The Atlantic, com Sweig, especialista do Conselho para as Relações Exteriores (CFR, na sigla em inglês), e com a presidente da Comunidade Hebraica em Cuba, Adela Dworin.

O líder comunista convidou os três para assistir ao espetáculo dos golfinhos após uma entrevista concedida no domingo a Goldberg. A primeira visita ao local foi feita há 45 dias, quando começou a reaparecer em público.

*Com Reuters e AFP

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