O líder cubano Fidel Castro afirmou nesta sexta-feira que se o republicano John McCain ganhar as eleições nos Estados Unidos não poderá contar com o apoio do governo brasileiro, após a posição valente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de apoiar o democrata Barack Obama.

"Pelo que vi esta tarde, Lula adotou uma posição valente em relação às eleições dos Estados Unidos. Se McCain vencer, não poderá contar com o maior país sul-americano, o Brasil", disse Castro em um artigo publicado no site Cubadebate.

Lula disse hoje, em Cuba, que "será uma coisa extraordinária" a possível eleição de "um negro" (em referência a Obama) como presidente dos Estados Unidos.

"Da mesma maneira que o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia elegeu um indígena, a Venezuela elegeu (Hugo) Chávez e o Paraguai, um bispo, acho que será uma coisa extraordinária que (...) um negro seja eleito presidente dos Estados Unidos", afirmou Lula, depois de assinar um acordo sobre a exploração de petróleo junto com o colega cubano Raúl Castro.

"Acho que em todo o mundo existe um pouquinho de alegria, na mente silenciosa de cada um de nós... como seria bom que um negro fosse eleito presidente dos Estados Unidos", estimou o líder brasileiro.

Fidel Castro, de 82 anos, que se recupera de uma longa enfermidade, conversou com Lula nesta sexta durante quase duas horas, no que foi qualificado pelo líder cubano de um encontro "amável e respeitoso, como sempre".

"Agradeci a Lula pelo apoio político e econômico do Brasil a Cuba em sua luta e destaquei o papel decisivo desempenhado pela Venezuela (...) nos dias mais críticos do período especial e hoje, quando o bloqueio imperialista recrudesce e nosso país sofre o açoite destruidor dos furacões".

"O atual presidente dos Estados Unidos (George W Bush) não tem qualquer problema: não os resolve; os cria. A solução para ele é trabalho para nós", disse Fidel Castro com ironia.

ab/LR

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