Fidel acusa México de mentir e ameaçar Cuba devido a gripe

HAVANA (Reuters) - O ex-presidente cubano Fidel Castro acusou na quinta-feira o México de mentir e ameaçar Cuba por causa da suspensão dos voos para o país, devido ao atual surto de gripe. Cuba notificou na segunda-feira o seu primeiro caso do vírus H1N1, diagnosticado em um bolsista mexicano. Fidel, afastado do poder há três anos por razões de saúde, acusou na sexta-feira o governo mexicano de não alertar a tempo para a epidemia por temor de que isso frustrasse uma visita do presidente norte-americano, Barack Obama. O México negou a acusação.

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A suspensão dos voos para o México, decidida por Cuba há duas semanas para tentar impedir a entrada da doença no país, irritou o presidente mexicano, Felipe Calderón, que ameaçou publicamente cancelar uma visita que fará neste ano à ilha.

"Por que mentir? Por que falar de supostas represálias, como foi suspender uma viagem já suspensa?", escreveu Fidel em texto lido na TV estatal.

O México foi o epicentro da nova doença, que já contaminou quase 6.500 pessoas em 33 países. Até agora, o pais registrou 60 mortes confirmadas --outras cinco aconteceram em outros países das Américas.

A viagem de Calderón a Cuba é resultado de dois anos de intenso trabalho diplomático para relançar as relações bilaterais, que historicamente foram estreitas, mas quase foram rompidas durante o governo de Vicente Fox, antecessor de Calderón.

A chanceler mexicana, Patricia Espinosa, transmitiu suas queixas na terça-feira ao seu colega cubano Bruno Rodríguez, durante uma reunião em Praga.

De acordo com a chancelaria mexicana, Rodríguez alegou que os voos foram suspensos porque essa seria uma forma de proteção para um país com "recursos limitados" como o seu.

"Por acaso é mais importante o dinheiro do turismo e das linhas aéreas do que a vida de um compatriota? Por que ameaçar? Não somos culpados das drásticas medidas que a epidemia obrigou a aplicar ao governo mexicano", disse Fidel na quinta-feira.

"Por que acusar-nos de ser inimigos do povo mexicano, quando adotamos medidas de antemão destinadas a proteger nosso povo?"

O ex-presidente, que mantém grande influência em Cuba, disse que o embargo econômico norte-americano impede a ilha de adquirir medicamentos e kits de diagnóstico produzidos nos EUA.

Existem dois antivirais eficazes contra a gripe H1N1: o Tamiflu, do laboratório suíço Roche, e o Relenza, do britânico GlaxoSmithKleine.

Autoridades sanitárias cubanas disseram na quarta-feira que o país dispõe de suficientes antivirais.

(Reportagem de Esteban Israel e Rosa Tania Valdés)

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