Os filmes Corumbiara, do diretor Vincent Carelli, e Uma mudança no mar, de Barbara Ettinger, foram os grandes vencedores da 11ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica), cuja mostra competitiva terminou na noite de sábado com a cerimônia de premiação.

"Uma mudança no mar", que fala sobre o aumento alarmante da acidez dos oceanos, foi escolhido pelo júri na categoria melhor longa-metragem, enquanto "Corumbiara", que denuncia o massacre de povos indígenas em Rondônia, foi premiado com o Troféu Cora Coralina, de melhor obra do festival.

"Minha maior satisfação seria ver o Ministério Público de Rondônia abrir uma investigação para esclarecer este caso", declarou Carelli, já com o prêmio nas mãos. "O que aconteceu foi um crime de genocídio".

A história de "Corumbiara" começou há mais de 20 anos, quando o massacre foi denunciado pela primeira vez. Na época, o cineasta conseguiu registrar com sua câmera os vestígios das tribos atacadas, que jamais haviam tido contato com o homem branco, mas o caso não chegou à justiça.

Segundo Carelli, nove anos se passaram até que fossem encontrados os primeiros sobreviventes, depois mais dois anos para descobrir índios capazes de traduzir a língua falada por eles. Dois dos que escaparam apresentavam marcas de tiros.

"Uma mudança no mar", que disputava o prêmio com mais três longas, alerta para a crescente degradação do oceano causada pela absorção de parte do dióxido de carbono lançado na atmosfera pelo homem.

O filme acompanha o educador norueguês radicado nos Estados Unidos Sven Huseby, que fica atônito ao ler um artigo sobre a acidificação dos oceanos e tenta entender as causas do fenômeno.

Ettinger causa perplexidade ao revelar que o oceano absorveu 118 milhões de toneladas cúbicas de CO2 em 200 anos, 43% disso apenas nas duas últimas décadas, e que a maior ameaça desta mudança é a completa extinção da vida marinha.

Na categoria média-metragem, na qual concorriam 15 produções, o escolhido foi "Arrakis", do italiano Andrea di Nardo, que define seu filme como um "documentário-tributo" às vítimas do amianto.

"'Arrakis' é meu primeiro documentário, eu não esperava que fosse chegar tão longe", comemorou o diretor, explicando que Arrakis é o nome de um planeta desértico e sem vida em um livro de ficção científica do escritor Frank Herbert.

"Quando Capelli narra, o público não o vê, e por isso não lida com a imagem, lida diretamente com a doença. Este é o maior impacto", estima Di Nardo, referindo-se à voz rouca do narrador, Silvestro Capelli, ex-operário de uma fábrica de amianto que desenvolveu um câncer na garganta e precisou ter a laringe e as cordas vocais retiradas.

As outras produções premiadas do Fica são "Mar de dentro", de Paschoal Samora, que concorria na categoria curta-metragem com mais sete filmes, e "Na parte inferior do mundo", do dinamarquês Jakob Gottshau, que ganhou o prêmio de Melhor Série Televisiva.

O prêmio para Melhor Produção Eleita por Júri Popular ficou com o longa-metragem "Kalunga", de Luiz Elias, Pedro Nabuco e Sylvestre Campe, enquanto "A árvore da música", de Otávio Juliano, venceu na votação da imprensa.

ap/fp

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