FHC pede que drogas sejam tratadas como um problema de saúde sério

Bogotá, 4 set (EFE) - Os ex-presidentes do Brasil Fernando Henrique Cardoso e da Colômbia César Gaviria coincidiram hoje em Bogotá em que as políticas antidrogas fracassaram e que deve ser dado prioridade à prevenção, assim como a tratar o problema como um caso sério de saúde.

EFE |

FHC e Gaviria participam hoje da Segunda Reunião da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, grupo que se reuniu pela primeira vez no Rio de Janeiro em abril e que prepara um documento sobre a questão que será entregue às Nações Unidas em 2009.

"O consumo de drogas é um caso sério de saúde, não é culpa somente dos produtores e, enquanto não assumirmos isso, não haverá soluções efetivas", expressou FHC.

"Não se trata de apontar um país como culpado, seja Colômbia, México ou Brasil, mas de trabalhar todos, produtores e consumidores", acrescentou.

Enquanto isso, o ex-presidente colombiano César Gaviria, fundador da Comissão, junto a FHC e o ex-governante mexicano Ernesto Zedillo, afirmou que "não existe um verdadeiro esforço para reduzir o consumo" de drogas.

O também ex-secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA) destacou que os países latino-americanos devem "assumir uma posição crítica frente às políticas de drogas dos Estados Unidos, da Europa, das instituições das Nações Unidas, da OEA, falar com toda a franqueza".

Ele considerou ainda que os "programas de redução de drogas foram bastante ineficazes e seus alcances bastante limitados".

Gaviria ressaltou que a Colômbia "tem toda a autoridade" para pedir soluções, porque "fez um esforço enorme na luta contra o narcotráfico".

"Estivemos examinando opções, queremos olhar os problemas do consumo de drogas, os programas de prevenção, os de tratamento, como conduzir o problema das drogas como um problema de saúde, do ponto de vista do consumo", afirmou Gaviria.

A Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia também é formada pelo escritor brasileiro Paulo Coelho e por outros nomes famosos, como o peruano Mario Vargas Llosa e o argentino Tomás Eloy Martínez.

Na reunião, que terminará amanhã, discursam também Rubem César Fernandes, diretor-executivo do Viva Rio, o general brasileiro Alberto Cardoso, especialista em luta antidrogas, e pelo ex-vice-presidente e escritor nicaragüense Sergio Ramírez. EFE gta/db

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