FHC diz que tratar vício é melhor que prender drogados

Rio de Janeiro, 15 abr (EFE).- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-chefe de Estado colombiano César Gaviria defenderam hoje que é melhor tratar dos viciados em drogas do que prendê-los.

EFE |

Os dois ex-líderes participaram de um seminário sobre democracia e segurança na 4ª edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial (FEM), que começou hoje no Rio de Janeiro.

Os ex-presidentes, que lideram a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, calcularam que os Estados Unidos investem US$ 40 bilhões por ano para combater os drogados e prendê-los, enquanto os programas de prevenção são "terríveis".

FHC pediu uma mudança de "paradigma" e para substituir a chamada "guerra contra as drogas" por um sistema no qual o uso do tóxico seja descriminalizado. O ex-presidente também defendeu mais investimento na prevenção e cura dos viciados, e que o combate seja dirigido contra as quadrilhas e cartéis de traficantes.

"Os resultados da guerra contra a droga não estão sendo eficazes, nem a área de plantio nem o volume de maconha diminuíram", afirmou o ex-líder brasileiro.

Ele insistiu em que o consumo de drogas deve ser tratado como "um problema de saúde pública", e convidou a adotar o modelo europeu de descriminalização e tratamento dos viciados nos sistemas públicos de saúde.

Por outro lado, o ex-presidente colombiano destacou que "colocar na prisão um consumidor de cocaína nos Estados Unidos custa US$ 150 mil. Com esse dinheiro, é possível tratar de dez viciados".

Gaviria lembrou que os EUA já debatem o modelo de combate às drogas, e que o presidente americano, Barack Obama, o qualificou de um "fracasso" há quatro anos, quando era senador por Illinois.

A Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia também é integrada por outras personalidades, como o escritor Paulo Coelho e o peruano Mario Vargas Llosa. EFE mp/db

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