FHC diz que luta antidrogas na América Latina não pode depender dos EUA

O combate às drogas na América Latina não precisa estar sob as asas dos Estados Unidos, que dá ajuda financeira e logística a países como a Colômbia para enfraquecer o narcotráfico, estimou nesta segunda-feira um grupo de ex-presidentes da região - entre eles, Fernando Henrique Cardoso -, denunciando o fracasso das estratégias adotadas até hoje para acabar com o problema.

AFP |

"Precisamos cooperar (com os Estados Unidos) (...), mas o espírito precisa mudar, e o espírito (da luta antidrogas) nos Estados Unidos é o da repressão", afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em uma reunião em Washington.

"Temos que reconhecer a enorme importância do mercado americano no consumo de drogas. Os Estados Unidos têm um peso enorme nas decisões globais (...), de modo que precisamos estar a par do que fazem (...), mas não é o mesmo que dizer que temos que esperar" pelos americanos, disse.

"Não precisamos ficar debaixo do guarda-chuva dos Estados Unidos para combater as drogas", destacou FHC, que, ao lado dos ex-presidentes César Gaviria, da Colômbia, e Ernesto Zedillo, do México, coordena o Grupo Drogas e Democracia na América Latina.

"Os Estados Unidos precisam fazer alguma coisa para reduzir o consumo. Acho que as políticas que defendem estão equivocadas", disse por sua vez Gaviria.

O grupo considera que a política no continente das três últimas décadas, de destruir plantações, apreender drogas e criminalizar o consumo, não trouxe os resultados esperados, enquanto o custo social e humano causado pelos narcóticos aumentou.

A proposta dos ex-governantes inclui tratar viciados em drogas como doentes ao invés de criminosos, além de reduzir o consumo de drogas através de mais campanhas educativas e uma melhora da educação e concentrar os esforços na luta contra o crime organizado.

Por fim, o grupo sugere a descriminalização da maconha.

John Walters, que foi diretor da agência antidrogas da Casa Branca durante o governo de George W. Bush, reagiu às declarações do Grupo Drogas e Democracia na América Latina, afirmando que a estratégia liderada pelos Estados Unidos foi bem sucedida.

"O Plano Colômbia foi um sucesso (...), e também no México", onde conseguimos praticamente acabar com a produção de metanfetaminas, indicou Walters, que participa do evento, acrescentando que trabalhar pelo cumprimento da lei é compatível com a educação e a prevenção contra o uso de drogas.

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