FHC diz que ampliação do G8 é ainda mais necessária

Madri, 14 jan (EFE).- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que agora é ainda mais necessária a ampliação do G8 - grupo formado pelas sete maiores potências mundiais mais a Rússia - para incluir países como o Brasil, e considerou que a chegada de Barack Obama à Casa Branca pode ajudar a atingir esse objetivo.

EFE |

"Isso é necessário e viável", disse FHC à Agência Efe em Madri, onde nesta quinta-feira participará do Fórum Europa-América Latina-Estados Unidos.

"Acho que talvez Obama possa realmente ajudar nisso, e Hillary (Clinton, a futura secretária de Estado americana) também", acrescentou o ex-presidente.

O fórum debaterá o impacto da crise financeira global na América Latina e no Caribe e o significado da nova Administração Obama para essas duas regiões.

Para FHC, houve a "ilusão" de que os países da América Latina poderiam estar "protegidos da crise, mas os dados de agora mostram que isso não é verdade".

O ex-presidente disse que a crise afetará de forma diferente os países da região, e os que mais sofrerão serão os "mais expostos às exportações aos EUA", como México e os da América Central, ou os que dependem mais das remessas, como o Equador.

FHC afirmou ainda que os países latino-americanos têm "uma margem de manobra pequena" para enfrentar a crise, porque esta "não nasceu na região".

"Não há um problema sério no sistema bancário latino-americano neste momento, em nenhum país. Então não há nada o que fazer", declarou, antes de afirmar que é necessário seguir o exemplo de países como os EUA e investir em infra-estruturas.

Sobre a chegada de Obama à Casa Branca, FHC disse que "não há muito" que a nova Administração americana "possa fazer especificamente em direção à América Latina", mas suas ações devem ser globais, com prioridade para "o resgate moral dos EUA".

"E isso é possível no Oriente Médio, no Iraque, no Irã", acrescentou FHC, que reconheceu, no entanto, que "seria bom também que Obama tivesse, simbolicamente, alguma relação com Cuba sobre o embargo".

FHC disse ainda que o maior desafio que o Brasil enfrenta neste momento de crise financeira internacional é tentar "não perder o ritmo" de crescimento, "que estava bom", e "evitar que se agrave a situação fiscal".

"O Governo Luiz Inácio Lula da Silva não foi cauteloso. Aumentou muito a despesa corrente, não o investimento, e agora pode ter dificuldades", prosseguiu FHC, antes de admitir que o Executivo brasileiro ainda tem margem de ação. EFE ep/mh

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