Rio de Janeiro, 11 fev (EFE).- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-líderes de Colômbia, César Gaviria, e México, Ernesto Zedillo, defenderam hoje a descriminalização da posse da maconha para uso pessoal, e a mudança de paradigmas no combate às drogas.

Os governantes lançaram esta proposta como líderes da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, um grupo integrado por 17 personalidades da região que pretende promover uma nova abordagem ao problema do tráfico que substitua a "ineficaz" estratégia de "guerra" aos entorpecentes.

FHC explicou que o objetivo do grupo é legalizar a maconha e não outras drogas, como a cocaína, porque "é preciso começar por algum lugar" e porque seria "leviano" e "pouco realista" pedir o mesmo para todos os entorpecentes.

A maconha foi escolhida por sua grande disseminação em todos os países da região e porque é a "menos prejudicial".

O ex-presidente afirmou que a repressão não pode ser "a qualquer custo", e explicou que é uma "violação inaceitável" a execução sumária dos traficantes por parte de policiais, principalmente em países nos quais não há pena de morte.

Já para Gaviria, "o problema é que as atuais políticas estão baseadas nos preconceitos e temores, e não nos resultados".

A Comissão destacou que a política de repressão e criminalização do consumo, adotada nas últimas décadas, falhou tanto no combate das plantações, quanto na luta contra as redes de distribuição.

As recomendações do grupo serão apresentadas aos Governos latino-americanos, aos Estados Unidos e à União Europeia (UE), aproveitando que se gerou "um clima" para abrir o debate tanto pela disposição de alguns Estados quanto pelo pragmatismo do presidente Barack Obama, nas palavras do ex-governante colombiano.

"Em muitos estados dos EUA, como é o caso da Califórnia, começaram a mudar a política federal quanto à tolerância da maconha para fins terapêuticos, e em Washington há um certo consenso de que a atual política (de repressão) está fracassando", afirmou Gaviria.

A descriminalização da maconha deve ser acompanhada de tratamento aos viciados e de campanhas de conscientização e prevenção, sem as quais o problema da criminalidade relacionada aos dependentes poderia se "aprofundar", segundo a Comissão. EFE mp/db

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