Festival de Sundance começa hoje em busca de distribuidores para seus filmes

Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA.), 15 jan (EFE).

EFE |

- A 25ª edição do Festival de Cinema de Sundance começou hoje com a esperança de, mesmo com a crise, encontrar compradores e distribuidores para os quase 120 filmes que serão exibidos.

No total, de hoje e até 25 de janeiro serão exibidos no festival 118 filmes, dos quais 91 serão estreias mundiais.

O evento, fundado pelo ator e diretor Robert Redford e realizado em Park City, Utah, se consolidou como uma das principais janelas do cinema alternativo, onde cineastas como Quentin Tarantino ou filmes como "A Bruxa de Blair" (1999) obtiveram seus primeiros sucessos.

Na edição deste ano, serão exibidos filmes de 21 países, com 42 títulos assinados por diretores novatos, mas estas obras terão a difícil tarefa de atrair os estúdios, após o desaparecimento, em 2008, de vários deles, como Warner Independent, Picturehouse ou Think Films, focados no circuito independente.

"Há muita especulação sobre nosso festival em relação ao que as pessoas acreditam que acontecerá", disse Redford à revista "The Hollywood Reporter". "Sempre gostei do fato de que ninguém sabe até terminar".

O diretor do Festival, Geoff Gilmore, afirmou que as aquisições de 2008 custaram US$ 15 milhões, um valor muito menor que os US$ 45 45 milhões de um ano antes, e não se descarta que as vendas agora sejam menores.

No entanto, há alguns títulos que vêm gerando grande interesse, como é o caso de "Brooklyn's Finest", onde Antoine Fuqua encontra Ethan Hawke ("Dia de Treinamento") e trabalha ao lado de Richard Gere.

Além disso, outros destaques são "The Greatest", de Shana Feste, com Pierce Brosnan e Susan Sarandon, ou "I Love You Phillip Morris", uma comédia com um casal gay, formada por Jim Carrey e Ewan McGregor e que conta com a participação de Rodrigo Santoro.

O debate sobre casamento homossexual acabou salpicando o festival, devido à contribuição à campanha a favor da Proposição 8 (que define o casamento exclusivamente como a união entre um homem e uma mulher) feita por Alan Stock, presidente do Cinemark Theatres, uma das sedes de Sundance.

"Tentar rotular este festival parece algo contraproducente", disse Redford. "Somos caracterizados pela diversidade, exibimos filmes que honram esses direitos há muito, muito tempo. Boicotar-nos seria ridículo", acrescentou.

No circuito minoritário há propostas tão interessantes quanto as anteriores, como "Big Fan", a estreia na direção de Robert Sigel, roteirista de "O Lutador"; a comédia "Adventureland", de Greg Mottola; "Once More with Feeling", com Chazz Palminteri ou "Cold Souls", protagonizado por Paul Giamatti.

Além disso, o festival organizará uma série de painéis de discussão sobre a história e o futuro do cinema independente, com membros ilustres da indústria como Steven Soderbergh, Gregg Araki, o roteirista e produtor James Schamus ou a diretora Barbara Kopple.

Nesta noite, o festival será inaugurado com a estreia mundial da animação australiana "Mary and Max", com as vozes de Philip Seymour Hoffman e Toni Collette e dirigido por Adam Elliot, que venceu o Oscar de melhor curta-metragem em 2004 por "Harvie Krumpet".

"Sundance continua sendo o melhor lugar para vender filmes independentes americanos", disse à revista "Variety" Celine Rattray, produtora de "The Winning Season". "Nenhum outro festival tirou seu posto. Há menos distribuidores do que há um ano, mas o apetite está aí", explicou a produtora.

Parece que o otimismo permanece o mesmo, apesar das dificuldades.

"Sentimos que ainda existe um mercado pulsante para os filmes de qualidade", acrescentou Micah Green, da CAA, a principal agência de talentos dos Estados Unidos. EFE mg/db

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