Festival de Dança de Veneza aborda obsessão por beleza

A sexta edição do Festival Internacional de Dança Contemporânea tem como tema a beleza e pretende discutir a obsessão do culto ao ego, a conquista da beleza e a pressão da mídia sobre o mito da aparência. Com curadoria do brasileiro Ismael Ivo - que dirige o evento pela quarta vez consecutiva - o festival deste ano conta com 15 espetáculos, dirigidos por coreógrafos de diversas partes do mundo.

BBC Brasil |

Beauty (beleza, em inglês) é a continuação da pesquisa iniciada pelo brasileiro sobre a relação do corpo com o mundo contemporâneo. Ivo assumiu a Bienal de Dança de Veneza em 2005 e iniciou uma trilogia colocando o corpo no centro do universo. Com Body Attack, Underskin e Body&Eros, Ismael Ivo lançou as bases para explorar a descoberta do corpo humano através dos movimentos dos bailarinos.

Nesta edição, o olhar crítico do brasileiro quer mostrar ao mundo a obsessão e a pressão pela beleza e transformar a dança em instrumento político de liberação da arte.

"Chega de dizer que a dança é a cerejinha da torta. Não!", exclama Ismael Ivo, em entrevista à BBC Brasil.

Conceito
"A beleza é complexa, o sentimento de beleza é complexo. Será a arte a amante da beleza? Qual é o conceito de beleza?", questiona Ivo.

Para tentar responder à pergunta, o coreógrafo convidou as principais companhias de dança dos Estados Unidos e da Europa, além de organizar seminários e mesas-redondas para a discussão do tema.

Entre os participantes deste ano estão Frédéric Flamand, Stephen Petrônio, Michela Lucenti e a escritora Germaine Greer, autora do livro O Eunuco Feminino.

O artista e fotógrafo Davide Michalek abre o Festival no dia 14 de junho com o espetáculo Slow Dancing, que traz 46 fotografias de coreografias interpretadas por dançarinos, projetadas em três telões espalhados pela cidade durante todo o evento. Chain of Feathers, do jovem coreógrafo Mauro de Candia, encerra a Bienal de Dança no dia 29.

Outros destaques do evento são a Bonachela Dance Company, com Square Map of Q4, de Rafael Bonachela, e os espetáculos Beauty and the Brut Bloom e This is the Story of a Girl in a World, de Stephan Petronio com um time de artistas que elabora o ritmo pop com coreografia de vanguarda.

Brasil
Além do curador brasileiro, o espetáculo Métamorphoses, de Frédéric Flamand também irá contar com talentos do Brasil.

Encenado pelos dançarinos do Ballet National de Marseille, a companhia francesa escolheu os irmãos Campana para contribuir com a cenografia e figurino.

Para interrogar sobre os mitos da beleza contemporânea da tecnologia, da eterna juventude, Frédéric Flamand "vestiu" o espetáculo com as criações de Fernando e Humberto Campana. Pegasus, Narciso e Medusa são alguns dos personagens que "dançam" a metamorfose.

Segundo Frédéric Flamand, os brasileiros conseguiram elaborar em representação cenográfica a marca registrada de seus trabalhos com materiais recicláveis refletindo a metamorfose nos mundos animal, vegetal, mineral e espiritual.

O coreógrafo, dançarino e diretor da Bienal de Dança de Veneza, Ismael Ivo, diz que "o corpo, o movimento e o indivíduo continuam em evolução".

"E a dança é uma das expressões mais antigas desta obra inacabada na qual tudo sempre se transforma", finaliza.

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