Festival de Cannes reunirá Eastwood, Spielberg e Woody Allen em 61ª edição

María Luisa Gaspar Paris, 13 mai (EFE).- Cannes, visto como um ogro devorador de cinema que se mistura ao brilho de estrelas famosas ou como o festival mais importante do mundo, receberá este ano os mais ilustres do cinema internacional, com forte presença dos americanos, liderados por Woody Allen, Clint Eastwood e Steven Spielberg.

EFE |

Cannes, a cidade do cinema, onde se faz e desfaz o destino das mais exigentes cinematografias do mundo, já tem quase tudo pronto para realizar o 61º Festival de sua história, a partir de amanhã até o dia 25 de maio, e receber estrelas como Angelina Jolie, Robert de Niro, Bruce Willis ou Sean Penn.

É inevitável a presença de Hollywood, como também é notável a parcela que o cinema nacional francês tem neste festival internacional organizado e sediado na França.

Em ambos os casos, no entanto, houve uma redução em relação a edições anteriores, dentro da competição pelo menos, já que de quatro filmes franceses e quatro americanos, como era de costume, passaram para três.

Quem se beneficiou sem dúvida foi o cinema latino-americano, mais presente do que nunca na competição, com quatro filmes na disputa pela Palma de Ouro. Assim como o cinema europeu, com algumas promessas.

Muitos deles vindos do leste da Europa, como o padrinho da VI Jornada da Europa em Cannes, no próximo dia 19, o romeno Christian Mungiu, Palma de Ouro ano passado em Cannes.

Da Europa, irão para Cannes 2008 Philippe Garrel, Matteo Garrone ou Paolo Sorrentino, dentre outros, mas terão ausências notáveis como a de Pedro Almodóvar que, mesmo sendo há uma década tão membro da família quanto Quentin Tarantino. Além dele, Wim Wenders e os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, novamente em busca da Palma de Ouro, também não estarão presentes.

O Brasil marcará presença no 61º Festival de Cannes com "Linha de Passe", co-dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas; "Blindness - Ensaio Sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles e "A Festa da Menina Morta", de Matheus Nachtergaele.

Os trabalhos dos já consagrados Walter Salles e Fernando Meirelles participarão da competição que tem como prêmio a Palma de Ouro, enquanto "A Festa da Menina Morta", que marca a estréia do ator Nachtergaele como roteirista e diretor, será exibida na mostra "Un Certain Regard" (Um certo olhar).

Obtenha ou não Meirelles a desejada Palma de Ouro, o grande prêmio de Cannes é estar em alguma de suas seções, mais ainda na "seleção oficial" e, dentro dela, "na competição".

"Um Certo Olhar", dentro do festival oficial, que contra tudo e contra todos soube se manter na crista da onda, empurrado pela história, também distribui prêmios.

Há 40 anos precisamente, os maus tempos ameaçavam a mostra mas ela se manteve graças a Maio de 68. Sua salvação.

Caíram diretamente no pano de fundo do filme que o diretor espanhol Carlos Saura estrearia no dia da chegada da revolução ao 21º Festival de Cannes. Seus participantes se uniram à rebelião e contribuiram para encerrar a amostra precocemente.

Aos que não puderam mostrar suas obras, mesmo tendo sido os escolhidos, agora é o momento de fazê-lo, e Saura, sucessor de Luis Buñuel e antecessor de Almodóvar no "podium" espanhol do Festival, prometeu assistir à tardia estréia nesta cidade de seu "Peppermint Frappe"(1968).

Era uma época, a de antes de 68, na qual os filmes de Cannes eram selecionados por autoridades de cada país representado, algo que os produtores achavam tão intolerável que criaram um festival paralelo para dar vida e difundir seu trabalho e o de seus colegas de outros países, "sem prêmios nem censura".

Desse objetivo confessado, foi possível conhecer "todos os cinemas", não só os governamentais. Surgiu A Quinzena dos Produtores, que este ano completa quatro décadas e está em plena festa.

Anos antes, já se havia criado a primeira sessão paralela do festival, A Semana da Crítica, com a missão de descobrir talentos e estrear longas iniciantes ou de segunda viagem de jovens desconhecidos, que na época foram Bernardo Bertolucci, Barbet Schroeder, Ken Loach ou Guillermo del Toro, entre outros muitos.

Nem os objetivos da Semana nem os de maio de 68 deixaram indiferentes os responsáveis do Festival, onde não demorou a surgir outra forma de ver, divulgar e premiar a sétima arte, e tornou-se hoje um dos eventos mais exigentes e sonhados do mundo do cinema.

EFE lg/rb

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