Festival de Berlim se rende ao desconhecido e ao ausente Polanski

Gemma Casadevall. Berlim, 20 fev (EFE).- A 60ª edição do Festival de Berlim prestou reverência ao cinema desconhecido ao entregar seu Urso de Ouro ao turca Bal, de Semih Kaplanoglu, e Ursos de Pratas ao novo cinema de Romênia e Rússia, além de premiar o ausente Roman Polanski, escolhido melhor diretor por O Escritor Fantasma.

EFE |

Polanski, que está em prisão domiciliar na Suíça devida a pendências com a justiça americana, foi aclamado pela solidez de seu filme, no qual o personagem de Ewan McGregor escreve as memórias do ex-primeiro-ministro britânico e acaba descobrindo uma trama sobre sequestros da CIA no Iraque.

"Se pudesse, também não teria vindo a Berlim para receber o prêmio. A última vez em que fui a um festival buscar um prêmio, acabei na prisão", dizia a mensagem de Polanski lida por Alain Sarde e Robert Benmussa na premiação - o cineasta foi detido em setembro quando compareceu ao festival de Zurique.

Sua inclusão na disputa foi vista como um gesto de solidariedade ao colega em dificuldades. Ficou claro que, acima de tudo, Polanski continua fazendo bom cinema.

Com "Bal", terceiro filme do turco Kaplanoglu sobre a região da Anatólia, foi premiado um estilo muito diferente de entender o cinema, por meio de uma poética feita de silêncios e sobre a figura de uma criança que só fala por meio de sussurros com seu pai.

Presidido pelo diretor alemão Werner Herzog, o júri agraciou também o filme "Eu Cand Vreau sa Fluier, Fluier", do jovem realizador romeno Florin Serban.

Rodado em uma casa de detenção para menores romena e interpretado, à exceção dos protagonistas, por internos do local, o filme de Serban levou o Grande Prêmio Especial do Júri e o prêmio Alfred Bauer.

Herzog e seus companheiros de júri - entre eles a atriz Renée Zellweger - deixaram claro sua filosofia nos prêmios de interpretação: antes de tudo, intensidade, nada de tributos a nomes reconhecidos, como Gérard Depardieu.

A japonesa Shinobu Terajima faturou o Urso de Prata de melhor atriz por sua atuação no duríssimo "Caterpillar", de Koji Wakamatsu, como a abnegada esposa de um soldado japonês que retorna da guerra sem braços nem pernas, mas decidido que sua mulher continue sendo sua escrava sexual.

Os atores russos Grigori Dobrygin e Sergei Puskepalis dividiram o Urso de Prata de melhor interpretação masculina pelo trabalho em "Kak ja Provel Etim Letom", de Alexei Popogrebsky, filme sustentado inteiramente na atuação da dupla e na paisagem polar.

O filme russo - o primeiro do país em anos a disputar prêmios em Berlim - também ganhou o Urso de Prata de melhor contribuição artística pelo trabalho do cinegrafista Pavel Kostomarov.

Polanski foi o único grande nome entre os principais prêmios da noite, além do chinês Wang Quan'an, que dividiu com Na Jin o Urso de Prata de melhor roteiro por "Tuan Yuan". Wang venceu o Urso de Ouro de 2007 como diretor de "O Casamento de Tuya".

O Festival de Berlim chegou ao fim com uma cerimônia sóbria, mais ainda do que costuma ser, após uma edição de aniversário enfraquecida pela parca presença de grandes astros. Em dez dias de festival, o maior representante de Hollywood sobre seu tapete vermelho foi Leonardo DiCaprio, presente com um filme fora de concurso, "Ilha do Medo", de Martin Scorsese.

O que mais chamou a atenção no festival não foram as estrelas nem o cinema atual, mas a projeção de uma versão restaurada do mítico "Metrópolis" (1927), de Fritz Lang, diante do Portão de Brandeburgo e debaixo de um frio abaixo de zero.

Por fim, o 60º Festival de Berlim concedeu o Urso de Ouro honorário à diva do cinema alemão Hanna Schygulla e ao lendário roteirista Wolfgang Kohlhaase, ativo desde os tempos da extinta Alemanha Oriental. EFE gc/bba

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