Festival da Canção Italiana completa 60 anos com brilho e polêmicas

Miguel Cabanillas Roma, 16 fev (EFE).- O Festival da Canção Italiana de Sanremo inicia hoje sua 60ª edição, cuja história passou por altos e baixos em qualidade musical e interesse popular, mas sempre sem abandonar a polêmica.

EFE |

Alguns dos protagonistas da música italiana de hoje e de sempre (como é o caso de Toto Cutugno ou Irene Grandi) voltarão a se encontrar a partir desta terça-feira no Teatro Ariston de Sanremo, a cidade litorânea do extremo noroeste da Itália que desde 1951 celebra o que hoje é uma festa de interesse popular no calendário do país.

Até o próximo sábado, 15 artistas concorrerão ao prêmio da categoria de músicos consagrados, enquanto outros dez competirão na categoria de novas gerações, um espaço criado nos anos 1980 e do qual saíram nomes como Eros Ramazzotti e Laura Pausini.

Uma longa lista de celebridades internacionais como convidados especiais, entre os quais se destaca a cantora americana de origem porto-riquenha Jennifer López, que durante anos foi o nome mais procurado pela organização do Festival.

Além dos convidados especiais, o assunto que mais interesse despertou nas últimas semanas foi a polêmica entre dois dos participantes da categoria máxima: Morgan, o excêntrico co-apresentador da versão italiana do programa de caça-talentos "X Fator", e Povia, que entrou em pé de guerra com os homossexuais do país no ano passado.

No último dia 3, a organização do evento anunciava a expulsão de Morgan da competição após ter admitido em uma revista que consumia cocaína para superar uma depressão. No entanto, hoje mesmo a apresentadora desta edição, Antonella Clerici, assegurava que o cantor estará "de algum modo" no Teatro Ariston.

Povia, por sua vez, já sabe bem o que é ser protagonista de uma polêmica em Sanremo. No ano passado, grupos de homossexuais exigiram sua expulsão do concurso por seu tema "Luca era gay", no qual defendia a tese de que a homossexualidade é uma "doença com cura".

Dessa vez, o polêmico artista volta aos holofotes com o tema "La verità" ("A verdade" em italiano), no qual defende a eutanásia e com o qual quis relembrar o caso de Eluana Englaro, a jovem em estado de coma que morreu há um ano depois de a Suprema Corte autorizar o desligamento dos aparelhos que a mantinham viva.

"Levei três anos para escrever 'Luca era gay'. 'La verità' surgiu em três dias, é muito estranho. Não sou religioso, nem praticante, mas tenho fé e digo que alguém me ajudou a escrevê-la.", comentou Povia em entrevista publicada no início deste mês pela revista italiana "TV Sorrisi".

O próprio pai de Eluana, Giuseppe Englaro, expressou apoio à canção, enquanto a apresentadora do Festival, que confessa que é difícil julgá-la, prefere defini-la como uma "poesia de amor que uma filha escreve a seus pais".

Longe da polêmica, a organização de Sanremo, da qual agora se encarrega a rede pública de televisão "RAI", preparou cinco noites de espetáculo musical.

Entre as apresentações, haverá uma sessão de lendas na quinta-feira, na qual participará Miguel Bosé, e outra de duetos na sexta-feira, que contará com o grupo Jarabedepalo cantando com Fabrizio Moro, um dos candidatos ao prêmio.

Nomes como os da rainha Rania da Jordânia, a dançarina americana Dita Von Teese e o grupo alemão Tóquio Hotel figuram também na lista de convidados de um festival que conseguiu na edição passada recuperar a audiência televisiva da "RAI", após anos em baixa.

Sanremo em outros tempos servia para escolher o candidato italiano ao famoso Festival Eurovision (a Itália participou pela última vez em 1997). Hoje, aos 60 anos, procura uma nova identidade para a música do país como a saudosa "Nel blu dipinto di blu" que, na voz de Domenico Modugno, venceu em 1958. EFE mcs/sa

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG