Festas de Natal no Vale do Silício serão raras este ano

San Francisco - As opulentas festas natalinas no Vale do Silício, na Califórnia (Estados Unidos), serão raras este ano, já que a crise obrigou quase todas as companhias tecnológicas a cortar o orçamento para estas festas ou até mesmo a suspendê-las.

EFE |

Com milhares de demissões no setor e uma queda do índice Nasdaq de mais de mil pontos desde janeiro, parece que o ambiente não está propício para grandes despesas e muitas empresas optaram por eventos mais discretos.

Segundo uma pesquisa da empresa de consultoria Challenger, Gray & Christmas realizada em todos os EUA, apenas 77% das empresas do país planejam festejos natalinos este ano, contra 90% das companhias em 2007.

Entre os executivos que projetam manter as celebrações, 13% assegurou que cortarão as despesas pelo menos pela metade.

O grupo de telecomunicações Cisco Systems cancelou as festividades quando anunciou este mês seus planos de reduzir em US$ 1 bilhão despesas como viagens, refeições e eventos durante os próximos 12 meses.

Inclusive o Google, famoso pela generosidade com seus empregados que incluem refeição, serviços médicos e lavanderia de graça em seus escritórios, parece estar entrando na era da austeridade.

Em contraste com as grandes festas com decorações de figuras de gelo do passado, a companhia, cujo valor das ações caiu pela metade nos últimos 12 meses, projeta para este ano pequenas celebrações por departamentos, mas não atribui essa mudança à crise.

"Após a festa do ano passado, o Google decidiu que a empresa era bem grande para realizar festas por departamento", disse à Agência Efe um porta-voz da companhia.

"Assim as pessoas têm mais possibilidades de confraternizar com seus companheiros", disse.

Durante seus dez anos de vida, o site de buscas gastou dinheiro a um ritmo incomum inclusive para o setor. A empresa contratava novos empregados a um ritmo frenético e permitia a seus trabalhadores dedicar 20% de seu tempo de trabalho a projetos de seu interesse.

Nos últimos meses, o Google freou consideravelmente as contratações, reduzido as horas de abertura de suas cafeterias de graça e fechando alguns serviços de sucesso duvidoso como o Lively, um mundo virtual lançado no verão.

Segundo a empresa, trata-se de dar prioridade a determinados projetos, assim como de "aumentar a eficiência e a produtividade".

"O Google continua contratando, mas a um ritmo mais reduzido", disse um de seus porta-vozes.

A companhia também decidiu reduzir o número de empregados temporários, por isso que muitos dos que trabalhavam há mais de um ano na empresa não tiveram seus contratos renovados.

A exceção neste fim de ano parece ser o Yahoo!, que este ano realizará uma grande festa apesar da demissão de 10% de sua equipe, da fracassada aliança com a Microsoft e da queda de suas ações na bolsa.

Os milhares de empregados da companhia poderão brindar com champanhe, dançar e desfrutar de música ao vivo no seu centro de convenções no Vale do Silício.

"É uma oportunidade para agradecer aos empregados tudo o que fizeram durante este ano difícil", disse à imprensa americana Kim Rubey, porta-voz do portal.

Além disso, cancelar a festa sairia mais caro, porque tudo já estava reservado, apesar de que a empresa estudará economizar no custo da comida e das bebidas, acrescentou.

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