O ex-bispo católico rebelde Fernando Lugo, suspenso a divinis pelo Vaticano, é um dos favoritos para ganhar a eleição presidencial do próximo domingo, no Paraguai.

Partidário da Teologia da Libertação, admirador de Leonardo Boff e de Dom Helder Câmara, simpatizante dos governos de Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e de Rafael Correa (Equador), o ex-religioso, de 56 anos, pendurou a batina no Natal de 2006 para disputar a presidência.

No Equador, ele trabalhou com monsenhor Leonidas Proaño, conhecido pelos equatorianos como "o bispo dos pobres".

Lugo lidera uma aliança de cerca de 20 partidos e movimentos políticos e sociais, a maioria de esquerda.

Há três anos, apesar da idade, mantinha-se como bispo emérito, sem cargo, após deixar a diocese de San Pedro, no departamento de mesmo nome, o mais pobre do Paraguai.

Sobrinho de um dirigente do Partido Colorado (oficialista) que foi perseguido e exilado pelo ditador Alfredo Stroessner (1954/89), Lugo entrou tarde para a política, em 29 de março de 2006, quando conseguiu reunir 40.000 pessoas de todas as tendências políticas para protestar contra o atual governo de Nicanor Duarte.

Aquele comício na praça do Congresso paraguaio foi o estopim para sua decisão de abandonar a batina, depois de ser convencido pela oposição a liderar uma frente contra o governo.

Vários líderes empresariais o apontam como um esquerdista perigoso, que busca implementar um governo no estilo chavista. Lugo também coleciona desafetos no meio religioso, onde uma autoridade eclesiástica o descreveu, publicamente, como "um punhal cravado no corpo da Igreja", por sua rebeldia.

Indiferente a isso, Fernando Lugo, cuja renúncia ao hábito foi rejeitada pelo Vaticano, aglutinou organizações camponesas, de trabalhadores, partidos e movimentos sociais minoritários, sob o manto do Partido Liberal, de maioria de centro-esquerda, que hoje ostenta a primeira minoria no Legislativo.

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