Feira em Miami propõe viagem pela arte latino-americana

Emilio J. López.

EFE |

Miami, 27 mar (EFE).- A enorme diversidade da evolução da arte latino-americana, desde os elementos tradicionais até a complexidade da vanguarda, é o foco da sétima edição da feira arteaméricas, aberta hoje em Miami, nos Estados Unidos, com a participação de 70 galerias.

A mostra de quatro dias reúne obras dos mais importantes artistas latino-americanos, entre eles a brasileira Lygia Clark e o colombiano Fernando Botero, além de vários outros criadores consagrados que dividirão espaço com as novas tendências artísticas da região.

Um dos eixos centrais desta edição da arteaméricas é mostrar a variedade de estilos existente na América Latina e sua conexão com os diferentes gêneros de expressão artística, que vão desde a pintura e a escultura, passando pela arte conceitual multimídia e chegando às instalações.

Segundo os organizadores, há o desejo de ilustrar a evolução da arte latino-americana e sua universalidade por meio de uma seleção de peças que refletem seu contexto histórico, seus propósitos artísticos, seus gostos e seus critérios.

Uma das obras mais inovadoras é a que presta homenagem ao pintor cubano Cundo Bermúdez, o último expoente da vanguarda da ilha, que morreu em Miami em 2008 aos 94 anos.

Mestre da chamada segunda geração modernista de Cuba, a obra de Bermúdez está presente em murais em Havana, na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington e no Centro de Artes Cênicas de Miami.

Durante a homenagem ao artista cubano haverá a exibição de um filme sobre o processo de criação da escultura "Flora, a colhedora de sonhos", peça na qual Bermúdez trabalhava antes de seu falecimento.

Considerada o principal evento de arte latino-americana no mundo, a feira serve como plataforma para o encontro de colecionadores e profissionais dispostos a investir em produtos artísticos com a marca latina - apesar da atual crise econômica.

Em declarações à Agência Efe, Diego Costa, vice-presidente da arteaméricas, disse que "a crise pode afetar as vendas, mas os preços da arte latino-americana não estão nas nuvens, o que é bom para que as transações não diminuam".

Costa diz que a mostra - que girou cerca de US$ 4 milhões em 2008 - "tem que ter de tudo para todos: desde obras conceituais até grandes mestres e artistas emergentes que utilizam materiais contemporâneos".

Este passeio pela arte latino-americana levará o visitante até as obras de mais de 300 artistas oriundos de 70 galerias da própria América Latina, além de EUA, Espanha e Alemanha.

A vanguarda latino-americana estará representada por artistas como Alexandre Arrechea, José Bedia, Tony Bechara, Tomás Espina e Bastón Díaz, entre outros, nomes que marcam as expressões artísticas atuais, expostas no espaço denominado "TRENDS: arte contemporânea".

Prova da heterogeneidade cultural da região são as seções existentes na feira: o "Pavilhão de Havana: duas visões de Cuba", o "Pavilhão de Buenos Aires: direto da Argentina" e o "Pavilhão do México: tradição engrandecida".

O primeiro deles captura o "presente e o passado, a aspiração e a nostalgia" gerados pela capital cubana, explica David Mateo, curador do pavilhão.

Entre os artistas cubanos presentes estão Kadir López, Ernesto Fernández, Douglas Pérez e Duvier del Dago, além uma série de criadores da ilha caribenha que residem nas cidades de Miami e Vancouver (Canadá).

O pavilhão de Buenos Aires exibe a obra de quatro artistas argentinos (Matías Duville, Catalina León, Manuel Ameztoy e Adriana Minoliti) que demonstram interesse pelas paisagens, pela natureza e pelo uso de materiais orgânicos.

O terceiro espaço reúne a obra multicultural de dez artistas mexicanos radicados no sul do estado da Flórida, como Alekxey Sabido, Cecilia Rivera e Jaime Gil.

Os organizadores esperam que 20 mil pessoas passem pela feira, que acontecerá no Centro de Convenções de Miami Beach.

A mostra também inclui um programa de conferências e diferentes seções dedicadas às artes visuais, com uma seleção de vídeos, de arte geométrica (com peças do venezuelano Alejandro Otero) e instalações de grandes dimensões. EFE emi/bba

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