Fed revê previsões e reforça pessimismo nos Estados Unidos

O Federal Reserve Bank (o banco central americano) revelou nesta quarta-feira novas previsões sobre a economia dos Estados Unidos para este ano e os próximos até 2011, ampliando o pessimismo em relação aos efeitos da crise financeira sobre o país. Dada a recente intensificação e ampliação da crise financeira global, os participantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (órgão do Fed que estabelece a política monetária) entenderam que a perspectiva de crescimento econômico e de emprego piorou de forma significativa desde junho, diz um documento divulgado pelo Fed.

BBC Brasil |


O órgão acredita que a economia "vai permanecer muito enfraquecida no próximo ano" e que "o ritmo subseqüente de recuperação será lento".

De acordo com as novas previsões, neste ano os Estados Unidos terão crescimento zero do PIB ou um crescimento bem pequeno, de no máximo 0,3%. Com relação ao ano que vem, o Fed acredita que o PIB poderia ou recuar até 0,2% ou crescer até 1,1%.

As duas previsões são piores do que as divulgadas pelo Fed ao Congresso americano em julho.

O Fed acredita que só em 2010 a economia americana voltará a ter crescimento certo, que deve variar de 2,3% a 3,2%.

Em relação às perspectivas de inflação, o banco central americano também decidiu rever suas apostas, adotando tom mais pessimista. Para este ano, por exemplo, ela deve variar de 2,8% a 2,1%, e no ano que vem, de 1,3% a 2%.

Juros

Com a piora das perspectivas econômicas, o Fed também indicou a possibilidade de mais cortes nos juros, que em outubro foi fixada em 1% ao ano.

As previsões do Fed foram divulgadas no mesmo dia em que o governo americano divulgou uma série de dados que também mostram a intensificação da crise econômica na maior economia do mundo.

O Departamento do Trabalho informou nesta quarta-feira que os preços ao consumidor no país caíram 1% em outubro em relação ao mês anterior.

Trata-se do maior recuo mensal desde que o Departamento começou a compilar seu Índice de Preços ao Consumidor, em fevereiro de 1947.

Também nesta quarta-feira, o Departamento do Comércio revelou que o número de novas habitações que começaram a ser construídas caiu 4,5% em outubro, indo para 791 mil unidades - o número mais baixo já registrado.

As bolsas americanas tiveram mais um dia difícil, refletindo esses dados. Em Nova York, o índice Dow Jones encerrou o dia em -5,07%, e o Nasdaq, em -6,53%.

União Européia

Na Europa, o ministro da Economia da Alemanha, Michael Glos, disse em um programa de TV que a União Européia está planejando um pacote de 130 bilhões de euros (cerca de US$ 164 bilhões) para impulsionar as economias dos 27 países do bloco.

"No total, cerca de 130 bilhões serão injetados (na economia)", disse o ministro no canal de TV alemão N-TV.

A versão online da revista alemã Der Spiegel já havia dito que a Comissão Européia (o órgão executivo da União Européia) estava planejando um pacote desse montante e que exigiria que cada país membros da União Européia colaborasse com 1% de seu PIB para torná-lo realidade.

Glos também confirmou que esse detalhe no programa de TV. "Todos terão que cumprir a meta de 1%", disse ele.

Segundo a Der Spiegel, o plano da Comissão Européia seria fechar um acordo para o pacote em 26 de novembro e levar a proposta para discussão pelos líderes dos países do bloco em dez de dezembro.

Na semana passada, dados confirmaram que os países da zona do euro entraram em sua primeira recessão desde que a moeda passou a ser adotada pela primeira vez, em 2000.

O clima pessimista imperou nas principais bolsas do continente nesta quarta-feira, que voltaram a fechar no vermelho: Em Londres, o FTSE 100 ficou em -4,82%; em Paris, o Cac fechou em -4,03% e em Frankfurt, o Dax encerrou o dia em -4,92%.

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