Fed reduz juros nos EUA ao menor nível já registrado

O Fed (Federal Reserve Bank, o Banco Central americano) anunciou nesta terça-feira a redução da sua taxa básica de juros de 1% ao ano para entre zero e 0,25%, o mais baixo patamar já registrado desde que os dados sobre a taxa começaram a ser compilados, em 1954. O corte foi maior do que o esperado por muitos economistas, que previam uma redução de meio ponto percentual, e reflete a preocupação da autoridade monetária americana com a possibilidade de um prolongado período de dificuldades econômicas nos Estados Unidos.

BBC Brasil |

A taxa é cobrada pelos bancos quando realizam empréstimos uns aos outros, usando reservas que têm guardadas em um banco distrital do Fed. Reduzindo esses juros, o Banco Central americano procura incentivar esses empréstimos, o que aumentaria a liquidez no mercado e, consequentemente, daria impulso à economia.

O Fed vêm cortando a taxa de juros desde agosto, quando ela estava fixada em 5,75%. O último corte, de 0,5 ponto percentual, havia sido anunciado em 29 de outubro.

"Desde a última reunião da comissão (Comissão Federal de Mercado Aberto, responsável, dentro do Fed, pelo estabelecimento da política monetária de curto prazo), as condições do mercado de trabalho se deterioraram e os dados disponíveis indicam que o consumo, os investimentos de empresários e a produção industrial declinaram", disse o Fed, em um comunicado sobre a decisão desta terça-feira.

"Os mercados financeiros continuam sob pressão e as condições para concessão de crédito estão restritas. No geral, o panorama para atividade econômica piorou mais."
O Fed também indicou que pretende manter os juros em patamares baixos "por algum tempo", devido às condições econômicas, e que pretende usar outros recursos para tentar levantar a economia como adquirir "dívidas e títulos lastreados por hipotecas para dar apoio aos mercados hipotecário e imobiliário".

Indicadores
Também nesta terça-feira, o Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos, um dos principais indicadores da inflação no país, recuou 1,7% em novembro - a maior queda já registrada desde que o indicador começou a ser divulgado, em 1947.

A deflação do mês passado sucede o recuo de 1% registrado em outubro, de acordo com dados do Departamento do Trabalho americano, responsável por divulgar o índice.

Anualizado, o índice de inflação ficou em 1,1% em novembro, 2,6 ponto percentual a menos do que o acumulado até o mês anterior (3,7%).

O grupo que mais colaborou para a deflação em novembro foi o de energia. Os preços no setor registraram uma queda de 32,4% em relação ao pico registrado em julho deste ano.

O preço da gasolina, por exemplo, teve uma redução de 29,5% em novembro, caindo 47% desde julho até o mês passado.

Outro indicador divulgado nesta terça-feira, o do número de novas casas construídas, também traçou um cenário de dificuldades para a economia americana.

De acordo com o Departamento do Comércio, a queda em novembro foi de quase 19% na comparação com o mesmo mês do ano passado - novamente, a maior diminuição desde que os dados no setor começaram a ser registrados.

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