Fed anuncia gasto de US$ 1,25 tri em títulos hipotecários

O Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) anunciou nesta quarta-feira que vai aumentar para até US$ 1,25 trilhão (cerca de R$ 4 trilhões) o montante gasto neste ano na compra de papéis lastreados em hipotecas. Em um comunicado divulgado após dois dias de reunião, o BC americano disse que vai ampliar em US$ 750 bilhões o gasto com a compra desses títulos.

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Juntamente com as compras já anunciadas anteriormente pelo Fed, o volume deve chegar aos US$ 1,25 trilhão em 2009.

Paralelamente, a instituição também disse que vai gastar até US$ 300 bilhões nos próximos seis meses no resgate de títulos de longo prazo do Tesouro americano, algo que não havia anunciado até agora.

A instituição disse que as medidas têm o objetivo de "promover a recuperação econômica e preservar a estabilidade dos preços" em meio à crise econômica no país.

Segundo o analista econômico da BBC, Andrew Walker, os planos do Fed devem levar a um aumento do dinheiro em circulação nos Estados Unidos, porque o BC americano deve adquirir os papéis com dinheiro que a própria instituição vai imprimir.

Em circunstâncias normais, tal abordagem provocaria inflação e seria evitada pelo Fed, mas o comunicado do órgão indica que os Estados Unidos enfrentam no momento um risco de que a "inflação possa persistir por algum tempo abaixo do nível que melhor favorece o crescimento econômico".

Walker acrescentou que o plano de resgatar títulos de longo prazo do Tesouro tem como efeito uma diminuição quase imediata dos juros pagos por esses títulos e afeta também o preço de outros tipos de empréstimos de longo prazo.

Como era esperado por analistas do mercado, na reunião, o Fed decidiu manter a taxa básica de juros americana variando de zero a 0,25 ponto percentual, como havia sido fixada em janeiro.

O órgão disse que ainda não há sinais de que a economia americana está deixando a crise para trás.

"Informações recebidas desde a reunião de janeiro do Comitê Federal de Mercado Aberto indicam que a economia continua se contraindo", diz o comunicado.

"Perda de empregos, desvalorização de títulos e habitações e condições apertadas de crédito estão pesando mais no sentimento dos consumidores e no ritmo de gastos."
No último trimestre de 2008, a economia americana registrou, em termos anualizados, um encolhimento de 6,2%.

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