O Fed (Federal Reserve), o banco central dos Estados Unidos, irá conceder um empréstimo de US$ 85 bilhões para tentar evitar a falência da seguradora AIG, a maior do país. Em retorno, o governo assumirá o controle de quase 80% das ações da empresa e o gerenciamento dos negócios - medidas similares às acertadas no acordo de resgate das gigantes hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae.

O pacote de resgate foi anunciado um dia depois da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, que pediu concordata e provocou a queda no preço de várias ações no mercado financeiro global.

O banco britânico Barclays anunciou que chegou a um acordo para a compra das operações de banco de investimento e de mercado de capitais do Lehman Brothers nos Estados Unidos.

A compra, no valor de US$ 250 milhões, ainda precisa da aprovação da Corte de Falências dos EUA. Caso seja concluído, o negócio transformará o Barclays no terceiro maior banco de investimentos nos Estados Unidos.

Mercado
O anúncio do pacote para salvar a AIG parece ter animado os mercados, que mostrarem sinais de recuperação depois de dois dias de operações tumultuadas no mercado financeiro.

Na Europa, as principais bolsas abriram em alta nesta quarta. O índice FTSE 100 da Bolsa de Valores de Londres, abriu em alta de 1%. O índice geral SMI (Swiss Market Index) da Bolsa de Zurique operava nos primeiros minutos do pregão de hoje em alta de 122,56 pontos (1,82%). O Ibex-35 da Bolsa de Madri abriu em alta de 193 pontos (1,71%).

O índice S&P/MIB da Bolsa de Milão operava nos primeiros minutos do pregão de hoje em alta de 1,92% para 27. 100 pontos. O índice geral Mibtel registrava na abertura um lucro de 1,71%, aos 20.810 pontos.  

O mercado asiático também registrou altas. No Japão, o índice Nikkei fechou o dia em alta de 1,2%, depois de atingir a maior baixa em três anos na terça-feira. Os índices das bolsas em Taiwan e Coréia do Sul também fecharam em alta.

Já a bolsa de Hong Kong fechou o pregão com recuo de 1,85%, depois de alguns ganhos durante o dia.

Prevenção
Em comunicado, o Fed declarou que a decisão sobre o resgate da AIG contou com "todo o apoio do Tesouro(americano)" e que o acordo para o empréstimo inclui condições feitas para "proteger os interesses do governo americano e dos contribuintes".

O banco central americano afirmou ainda que agiu para prevenir um fracasso que poderia prejudicar a economia global.

Segundo o analista econômico da BBC Greg Wood, a amplitude do pacote de resgate da AIG é um sinal da preocupação causada pela crise financeira.

Ele afirma ainda que o fracasso da empresa - que possui segurados em 100 países e garante negócios e investimentos ao redor do mundo - teria um impacto maior no mercado financeiro do que o colapso do Lehman Brothers.

A falência da AIG significaria que muitos bancos e fundos de investimento nos EUA e ao redor do mundo perderiam a cobertura dos riscos abrangidos pelos seguros em um momento em que a falta de liquidez deve crescer.

Apoio
Em comunicado, a Casa Branca afirmou que o presidente George W. Bush apóia o acordo anunciado pelo Fed "no interesse de promover a estabilidade dos mercados financeiros e de limitar o dano à economia em geral".

O governador de Nova York, David Paterson, também manifestou seu apoio à decisão do Fed e disse que seria difícil prever o impacto de uma eventual falência da seguradora.

"Seus tentáculos se expandem pelas avenidas dos negócios, das hipotecas, dos crédito e fundos e de incontáveis modos que afetam consumidores, motoristas, proprietários de casas, passageiros", disse.

O resgate da AIG é o terceiro pacote anunciado pelo governo americano para salvar instituições financeiras neste mês, depois de assumir o controle das gigantes Fanny Mae e Freddie Mac.

Nesse caso, a decisão do Fed é ainda mais surpreendente porque o banco central permitiu que o Lehman Brothers pedisse a concordata sem anunciar um pacote de investimentos para tentar prevenir a quebra do banco de investimentos.

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