FBI investiga se News Corp. tentou grampear vítimas do 11 de Setembro

Informação surge no mesmo dia em que magnata e filho concordam em prestar depoimento sobre escutas ilegais no Reino Unido

iG São Paulo |

O FBI abriu uma investigação sobre alegações de que a News Corporation , império midiático do magnata Rupert Murdoch, tentou grampear os telefones de vítimas dos ataques do 11 de Setembro, disse uma fonte policial nesta quinta-feira. A autoridade falou à Associated Press sob condição de anonimato por não ter autoriação para abordar publicamente o assunto.

"Estamos cientes das acusações e o FBI abriu uma investigação para estudá-las", confirmou nesta quinta-feira à Agência Efe uma porta-voz da polícia federal americana em Nova York.

Um jornal rival informou na semana passada que o tabloide da companhia News of the World, cuja última edição circulou no domingo , grampeou o telefone da britânica Milly Dowler em 2002, que mais tarde foi encontrada morta, possivelmente atrapalhando a investigação policial sobre o desaparecimento da adolescente de 13 anos.

Mais vítimas apareceram posteriormente: outras crianças vítimas de assassinato, vítimas dos ataques de 2005 em Londres, famílias de soldados britânicos mortos e o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown , entre outras quatro mil pessoas.

Reuters
Rupert Murdoch é fotografado ao chegar em sua casa em Londres (12/7)

O escritório do FBI em Nova York não comentou imediatamente a informação nesta quinta-feira. Também não houve, segundo a AP, respostas a mensagens deixadas nas sedes da News Corp. e do escritório do procurador-geral dos EUA em Manhattan.

Um número cada vez maior de congressistas democratas e um republicano vinha pedindo por uma investigação. Os senadores democratas Jay Rockefeller, Barbara Boxer e Robert Menezes pediram nesta semana para que as autoridades dos EUA apurassem as denúncias.

O congressista republicano Peter King, que preside o comitê de segurança nacional e representa uma região de Nova York que perdeu mais de 150 pessoas nos ataques do 11 de Setembro, também pediu na quarta-feira por uma investigação do FBI.

Analistas dizem que uma investigação do FBI seria o primeiro indício de que o "escândalo dos grampos" que atinge a imprensa britânica, teria cruzado o Atlântico.

A informação surgiu no mesmo dia em que o magnata australiano e seu filho James concordaram em prestar depoimento na próxima terça-feira ante uma comissão parlamentar britânica sobre o escândalo das escutas telefônicas e do pagamento de propinas a policiais. De acordo com uma porta-voz da News Corp., cuja base fica em Nova York, a empresa está no processo de confirmar a presença de Murdoch e seu filho na terça-feira. "A intenção é ir", disse Miranda Higham.

Horas mais cedo, ambos haviam se recusado a comparecer ante a comissão. O magnata e seu filho foram convocados formalmente a depor na mesma comissão, após terem recusado um convite inicial feito na terça-feira com a justificativa de que não estariam disponíveis na data marcada para a sessão no Parlamento, em 19 de julho, para a qual também foi convocada a a editora-executiva da News International (divisão britânica da News. Corp), Rebekah Brooks .

Em nota, os parlamentares britânicos emitiram as convocações formais e reforçaram sua convicção de que os três devem prestar esclarecimentos sobre o "comportamento" da News International e sobre declaração feitas por Rebekah e Andy Coulson (ex-editor-chefe do News of the World e ex-porta-voz do premiê David Cameron) durante audiência semelhante em 2003, que agora "aparentam" ser falsas.

Previamente à declaração de que Murdoch e o filho comparecerão à sessão, Rebekah concordou  em prestar depoimento à comissão parlamentar britânica.

Nova prisão

Também nesta quinta-feira, Neil Wallis , ex-diretor executivo do News of The World, foi preso pela polícia britânica e levado para interrogatório em uma delegacia do oeste de Londres, sob suspeita de conspirar para interceptar comunicações.

Wallis é a nona pessoa a ser presa desde que a Polícia Metropolitana de Londres lançou uma investigação sobre as escutas ilegais, em janeiro.

Jean Charles

A Scotland Yard anunciou nesta quinta-feira que um primo do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica em um metrô de Londres em 2005, também foi alvo de escutas ilegais do News of the World.

Após a descoberta, familiares, ativistas e brasileiros que vivem na Inglaterra passaram seus dados telefônicos para a polícia verificar se houve grampos. A família do brasileiro enviou uma carta ao premiê da Grã-Bretanha pedindo uma investigação sobre o possível grampo telefônico do qual teria sido vítima Alex Pereira.

Jean Charles foi assassinado ao ser confundido com um terrorista na estação de Stockwell. As investigações foram concluídas sem que ninguém fosse punido.

Diante da intensa pressão de políticos, da imprensa e da opinião pública, Murdoch desistiu de adquirir a totalidade das ações da operadora de TV por assinatura BSkyB - da qual seu grupo possui 39%.

Protestos

Em frente à casa de Murdoch em Nova York, cerca de 20 manifestantes protestaram nesta quinta-feira contra o que chamaram de “racismo” do canal Fox News, também parte do conglomerado do magnata. Além dos protestos contra o canal, os manifestantes exigiam investigações dentro dos Estados Unidos sobre as atividades do grupo.

Um dos responsáveis pelo protesto, convocado pela organização afroamericana Color of Change, tentou entregar sem êxito as petições no edifício da Quinta Avenida, em frente ao Central Park, onde Murdoch mora. "Isso não é apenas sobre escutas telefônicas, mas também contra uma agenda focada em dividir os Estados Unidos", disse o diretor-executivo da Color of Change, Rashad Robinson, ao se referir à manifestação.

A Color of Change acusa o canal de notícias americano de recorrer a "esteriótipos raciais" em certas referências ao presidente americano, Barack Obama. Os manifestantes levavam cartazes com inscrições como "Segurem a Fox", "Provocação racial, pirataria telefônica, qualquer coisa para ganhar dinheiro" ou "Lucros com Fox News racista".

*Com AP, BBC e EFE

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