FBI diz ter provas de que suspeito planejou ataque no Arizona

'Planejei antecipadamente', teria escrito Jared Loughner em envelope encontrado em sua casa pela polícia

iG São Paulo |

Autoridades americanas disseram ter provas de que Jared Loughner, acusado pelo ataque que matou seis e feriu 14 no Arizona no domingo, teria planejado a ação.

Segundo o agente Tony M. Taylor Jr., a polícia encontrou um envelope na casa de Loughner no qual estava escrito: "Planejei antecipadamente", "meu assassinato" e "Giffords".

A deputada democrata Gabriele Giffords foi ferida no ataque em Tucson. Testemunhas disseram que Loughner disparou com uma arma semiautomática contra pessoas que participavam de um evento político liderado pela democrata, diante de um supermercado na cidade no sábado.

Giffords, que tem 40 anos, foi atingida na cabeça com um tiro à queima-roupa e levada para o Centro Médico Universitário de Tucson, a cerca de 15 quilômetros do local do ataque. Seu estado é grave.

Na tarde de domingo, o diretor do FBI confirmou que há indícios de que o suspeito teria participado, em 2007, de outro evento político liderado por Giffords. "O episódio foi um ataque contra nossas instituições e contra nosso modo de vida", afirmou.

Loughner, 22 anos, foi formalmente acusado de tentativa de assassinato de um membro do Congresso (referente ao ataque contra a deputada), duas vezes acusado de assassinato em primeiro grau (pelas mortes do juiz federal John Roll e do assistente de Giffords Gabe Zimmerman), e outras duas de tentativa de assassinato de dois outros assistentes da deputada.

Essas primeiras acusações são responsabilidade de promotores públicos federais, já que se referem a casos em que vítimas trabalham para o governo. Autoridades estaduais devem apresentar ainda acusações relacionadas aos ataques contra as demais vítimas, que incluem uma menina de nove anos.

Loughner deve comparecer perante o tribunal nesta segunda-feira e pode enfrentar a pena de morte se for condenado.

O ataque

De acordo com relatos de testemunhas, após atirar contra a deputada e outras pessoas que participavam do evento, Loughner terminou um pente de balas e, quando tentava recarregar, uma mulher tirou a munição de suas mãos. 

A americana, que não foi identificada, ficou ferida e Loughner tentou recarregar novamente, mas não conseguiu porque a arma travou. Ao tentar fugir, ele foi derrubado e contido por dois homens. Segundo a polícia, a tragédia poderia ter sido ainda pior se não fosse pela ação dessas pessoas.

A arma usada no ataque - uma Glock 19.9 mm - foi comprada legalmente em uma loja de esportes da cidade em 30 de novembro. O diretor do FBI, Robert Mueller, afirmou que não foi descartada a possibilidade de indiciar Loughner também por terrorismo doméstico.

A polícia afirmou que o jovem tem "problemas mentais" e um "passado conturbado". Ex-colegas também disseram que Loughner é "obviamente perturbado" e uma pessoa solitária.

Antes do crime, o acusado divulgou diversos vídeos, fotos e mensagens antigovernistas em sites como o YouTube e o MySpace. Pouco tempo antes do ataque ele publicou um post na internet em que dizia: "Adeus, amigos. Queridos amigos, não fiquem bravos comigo."

Tragédia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o incidente é uma "tragédia indescritível para todo o país" e pediu que um momento de silêncio em homenagem às vítimas seja observado nesta segunda-feira às 11h no horário de Washington (14h no horário de Brasília).

O ataque acirrou ainda mais o debate político nos Estados Unidos sobre o tom agressivo de algumas campanhas políticas. Uma das figuras mais populares do movimento conservador Tea Party, a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin chegou a incluir Giffords em uma lista de políticos que o movimento deveria tentar remover do poder nas eleições de novembro.

Giffords acabou reeleita com uma diferença de apenas 4 mil votos sobre seu adversário republicano, apoiado pelo movimento conservador Tea Party. A lista divulgada por Palin, composta por 20 nomes, vinha ilustrada com o desenho de uma mira telescópica, comum em algumas espingardas.

Na época, Giffords respondeu dizendo que "quando as pessoas tomam esse tipo de atitude (colocam miras em nomes de políticos), elas precisam ter em mente as consequências que tais ações podem acarretar."

'Cautelosamente otimista'

Um dos médicos responsáveis pela deputada americana afirmou no domingo que ela continua em estado crítico, mas está respondendo bem ao tratamento e já consegue obedecer a comandos simples.

O cirurgião Peter Rhee disse que sua equipe estava "cautelosamente otimista" em relação ao estado de saúde de Giffords, mas não deu detalhes de como sua recuperação se daria e nem de possíveis sequelas. Segundo ele, a democrata se saiu bem em testes simples, como fechar a mão ou erguer um dos dedos.

O médico afirmou ainda que outro motivo para se acreditar na recuperação é o fato de a bala ter atingido apenas um dos lados do cérebro da deputada.

Com AFP e BBC

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