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Fazendeiros encerram tratoraço por segurança no Paraguai

Fazendeiros realizaram nesta terça-feira uma manifestação na capital do Paraguai, Assunção, para marcar o segundo e último dia do tratoraço que organizaram contra ocupações de terras, ameaças de invasões e o que dizem ser atentados contra a produção. O protesto ocorreu um mês depois que o presidente Fernando Lugo criou a Coordenadoria Executiva para a Reforma Agrária para atender as demandas dos camponeses sem-terra.

BBC Brasil |

Lugo tem repetido que a "propriedade privada" será respeitada e que, ao mesmo tempo, atenderá às demandas dos sem sem-terra.

Na manifestação desta terça-feira, o único orador do encontro, em Assunção, Luis Canillas, disse: "Não queremos viver num país onde uns não dormem porque têm medo e outros não dormem porque têm fome". De acordo com os organizadores, mais de 50 mil pessoas participaram do "tratoraço" no país. O governo e a polícia local não divulgaram números confirmando ou não este dado.

Os manifestantes ergueram bandeiras brancas e do Paraguai e levaram máquinas agrícolas e caminhões para o acostamento de estradas em 13 dos 17 departamentos (equivalentes a estados) do país.

Esta primeira manifestação dos ruralistas, durante o governo do presidente Fernando Lugo, ocorreu quando ele completa pouco mais de cem dias no poder. E num momento de crescente tensão entre agricultores e proprietários de terras.

"Não se pode pedir soluções em poucos dias para problemas que são de décadas", disse, recentemente, o ministro do Interior, Rafael Filizzola, que tenta encontrar solução para os sem-terra e suas diferenças com os fazendeiros.

Soja
Em entrevista à BBC Brasil, o presidente da União de Grêmios da Produção (UGP), o paraguaio Héctor Cristaldo disse: "Queremos tranqüilidade para trabalhar. Cansamos de ver invasões de terras e, pior do que isso, pregos que colocam no caminho para furar os pneus dos nossos caminhões, queima das nossas plantações e até carros que foram alvos de tiros." Segundo ele, agora haverá uma trégua até o governo apresentar medidas que possam mudar o quadro atual.

Essa entidade, que contou com apoio de 14 sindicatos da categoria, organizou os protestos em mais de 60 pontos do país, disse Cristaldo.

Segundo ele, os ataques estão prejudicando o cultivo de soja, por exemplo - atualmente uma das principais alavancas da economia paraguaia.

O Paraguai conta com a participação de vários produtores brasileiros neste setor e é hoje o quarto maior exportador de soja do mundo. "Se estes problemas continuarem, vão afetar o resultado da produção e, conseqüentemente, a economia do país", disse o presidente da UGP.

'Ocupações'
Cristaldo afirmou ainda que nos últimos quatro ou cinco meses ocorreram "mais de 200" invasões de terras e "70 ocupações", além da queima de plantações, na região do Alto Paraná - onde estão sendo registradas freqüentes reclamações dos fazendeiros. Esta é uma das áreas agrícolas mais prósperas do país.

Um dos líderes dos camponeses, Luis Aguayo, rejeitou as acusações dos ruralistas e disse, de acordo com a imprensa local, que eles poderiam ir às ruas "defender a democracia" do país contra os protestos dos fazendeiros.

O presidente Lugo foi eleito com a promessa de realizar a reforma agrária no país. A partir da eleição do ex-bispo católico, os camponeses intensificaram pedidos para que a distribuição de terras seja acelerada.

Nos últimos anos, graças ao cultivo da soja, a economia paraguaia apresenta dados mais positivos. No entanto, como afirmou o economista Dionisio Borda, antes de ser o atual ministro da Fazenda, ela não contribuiu para reduzir a pobreza e aumentou a concentração dos camponeses que buscam oportunidades nas áreas urbanas.

O combate à pobreza e a distribuição de terras são alguns dos principais desafios de Lugo - primeiro presidente a chegar ao Palácio presidencial de López, após 61 anos de hegemonia do Partido Colorado.

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