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Fazendeiros do Paraguai protestam contra crimes de sem-terra

Assunção, 14 dez (EFE).- As principais associações patronais agropecuárias do Paraguai começarão amanhã uma mobilização de dois dias contra as constantes ameaças por grupos de autointitulados sem-terra, que, nesta semana, chegaram a promover uma invasão armada e a incendiar terras de um produtor rural brasileiro.

EFE |

Héctor Cristaldo, um dos dirigentes da União de Grêmios da Produção (UGP), reiterou hoje que não haverá bloqueio de estradas e que: "os produtores sairemos às estradas como já fizemos em outras ocasiões com nossas máquinas e veículos".

A UGP reúne 12 associações de produtores rurais, incluindo a Coordenadora Agrícola do Paraguai (CAP), que nos anos 1999, 2001 e 2002 promoveu grandes protestos conhecidas como "tratoraços".

Ao contrário dessas manifestações, realizadas para pedir o refinanciamento das dívidas do setor, a redução do preço do gasóleo e rejeitar leis impositivas, a patronal rural levará seus tratores ao acostamento das vias em repúdio ao assédio dos "sem-terra".

Após a posse do presidente Fernando Lugo, em 15 de agosto passado, membros de organizações dos ditos "sem-terra", algumas delas aliadas ao governante, ocuparam momentaneamente numerosas fazendas agrícolas.

Os "sem-terra", que ameaçam principalmente fazendeiros brasileiros estabelecidos no Paraguai, que em sua maioria cultivam soja - principal fonte de renda do país -, alegam que o cultivo mecanizado depreda florestas e polui o meio ambiente.

Também reivindicam uma reforma agrária que contemple assistência técnica e crédito, assim como o acompanhamento integral dos órgãos oficiais a seus assentamentos.

Depois de uma trégua de várias semanas, um grupo armado invadiu nesta semana um sítio do departamento de Concepción (norte do país) e seu chefe, Casildo López, ameaçou não abandonar este tipo de ato até que o Governo lhes ceda 10 mil hectares de terras, que ele alega ser "para repartir entre os pobres".

Outro grupo de "sem-terra" incendiou um depósito da fazenda do brasileiro Hildo Da Veiga, no departamento de Caazapá, na região centro-sul, e destruiu tratores, maquinarias e equipes de lavoura no valor de US$ 400 mil.

A presidente da Associação de Produtores de Soja (APS), Claudia Ruser, afirmou que o chefe de Estado "deve entender que ninguém votou em 20 de abril (dia da eleição presidencial) pelo clima de violência e insegurança que se vive hoje no país".

O "tratoraço" também motivou a adesão da poderosa organização patronal Federação da Produção, Indústria e Comércio (Feprinco), que convocou diversos atos cívicos para esta terça-feira nas ruas de Assunção. EFE lb/jp

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