Fazendeiro planeja criar reserva selvagem na Escócia

Um fazendeiro escocês pretende reintroduzir nas Highlands, região no norte da Escócia, animais que não são vistos na Grã-Bretanha há centenas de anos - incluindo ursos marrons, linces e lobos. Paul Lister, que acaba de levar um casal de alces para a fazenda Alladale, diz que o objetivo é criar uma reserva selvagem, reintroduzindo predadores maiores para criar um ecossistema semelhante ao que existiu na Escócia há centenas de anos.

BBC Brasil |

Fazendeiros vizinhos, no entanto, estão preocupados e temem que os predadores escapem da reserva e ataquem outros animais.

Entre ambientalistas, as opiniões são divergentes: alguns aplaudem, outros dizem que a idéia requer cautela.

O Plano
"O que pretendo é criar uma floresta e uma reserva natural semelhante às que existem no sul da África, algo que é controlado, administrado e cercado", disse Lister à BBC.

"O problema principal é que temos na Escócia uma superpopulação de cervos vermelhos", acrescentou. "Temos provavelmente três ou quatro vezes o número de cervos vermelhos que podemos comportar."
Segundo Lister, isso acontece porque não há predores naturais para os cervos. "Nós acabamos com os predadores anos atrás", diz o fazendeiro.

Lister enfatiza que não está tentando reintroduzir os animais na natureza. Ele quer introduzi-los de forma controlada em um terreno de 20 mil hectares, totalmente cercado.

Além do casal de alces que chegou da Suécia, o fazendeiro importou também porcos selvagens e plantas como o junípero, vidoeiros e aveleiras.

Os alces desapareceram da região há 750 anos. Eles estão se adaptando à nova moradia, em um terreno cercado, com 180 hectares, dentro da propriedade de Lister.

Reações
Os alces e as plantas não causaram polêmica, mas muitos na região se opõem ao plano de Lister de arrumar predadores maiores.

Fazendeiros locais temem que seus rebanhos sejam ameaçados caso os predadores escapem da fazenda.

Por outro lado, a cerca, que, a princípio, serviria para manter os animais dentro da propriedade, também vai ser um empecilho aos andarilhos britânicos.

Na Grã-Bretanha, leis garantem à população o direito de caminhar livremente pelo país, mesmo que isso signifique passar dentro de propriedade privada.

Ambientalistas como Timothy Coulson, do Imperial College London, têm simpatia pela idéia, mas dizem que o projeto é complexo.

"A área proposta para a reserva é muito pequena para comportar de forma viável, a longo prazo, um ecossistema que contenha predadores grandes", avalia Coulson.

"Uma única alcatéia de lobos cobriria um território imenso", acrescenta o ambientalista. "Então, em 20 mil hectares, você poderia provavelmente ter apenas uma alcatéia, e, para sobrevivência a longo prazo, a população de animais teria de ser ativamente administrada."
Otimismo
Os lobos foram extintos na Grã-Bretanha 200 anos atrás.

Lister afirma que há muito a fazer até que os predadores maiores possam ser introduzidos na fazenda.

O fazendeiro diz, por exemplo, que precisa aumentar o tamanho da propriedade - hoje com pouco menos de 10 mil hectares - para 20 mil hectares. E terá também que vencer a burocracia e convencer a vizinhança a apoiar o projeto.

Mas Lister é otimista. Ele diz esperar que a reserva esteja em funcionamento dentro de dois a cinco anos.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG