Favorito, Rajoy usa perseverança como arma eleitoral na Espanha

Experiente na política, o conservador Mariano Rajoy tenta pela terceira vez desbancar os socialistas abordando a crise econômica

iG São Paulo |

Mariano Rajoy, candidato a presidente do governo da Espanha pelo Partido Popular (PP), se apresenta às eleições do próximo dia 20 apoiado por pesquisas que o aproxima muito de sua meta e convencido de que é o candidato confiável que o país precisa para sair da crise.

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Reuters
Mariano Rajoy nasceu em Santiago de Compostela e é torcedor do Real Madrid

Após ter perdido as eleições de 2004 e 2008 contra o socialista José Luis Rodríguez Zapatero e ter superado muitas dificuldades em seu partido, Rajoy concorre pela terceira vez como candidato da legenda conservadora PP às eleições espanholas, marcadas nesse ano pela crise econômica e pelo forte desemprego.

"Sou Mariano Rajoy, espanhol e galego, nascido em Santiago (de Compostela) há 56 anos", assim começa a autobiografia, publicada antes das eleições, desse filho e neto de juristas, educado na tradição católica e que cultiva uma imagem sóbria, não muito carismática e, inclusive, um pouco tediosa.

Pouco conhecido no exterior - fala francês, mas admite ter aula de inglês -, criticado por sua indecisão, esse homem de cabelo castanho, barba branca e óculos retangulares, conseguiu, no entanto, reagrupar ao redor de si o PP e apagar as lembranças de suas duras derrotas nas eleições de 2004 e 2008. "Rajoy é a vitória da perseverança", acredita Antón Losada, professor de Ciências Políticas da Universidade de Santiago de Compostela.

Após estudar em uma escola jesuíta e na faculdade de Direito, entrou "timidamente" na política aderindo à Aliança Popular (AP), partido de direita fundado pelo ex-ministro franquista Manuel Fraga Iribarne, que se convertera posteriormente no PP.

Discreto, mas temerário, foi eleito deputado regional com 26 anos, antes de continuar subindo até se tornar o homem de confiança de José María Aznar, presidente do governo de 1996 a 2004, que o nomeou como sucessor no partido.

Ex-vice-presidente do Executivo espanhol durante o mandato de José María Aznar e cinco vezes ministro - de Administrações Públicas, Educação, Presidência, Interior e Porta-voz - Rajoy forja uma imagem de mediador fora de série, além de ser o homem que enfrenta as críticas pela desastrosa gestão da maré negra do petroleiro "Prestige" em 2002 e pela entrada da Espanha na guerra do Iraque, em 2003.

A economia e os quase 5 milhões de desempregados na Espanha são o eixo central de sua campanha. Ele já anunciou que, se eleito, dará início nos cem primeiros dias de mandato a uma lei de estabilidade orçamentária, um pacto territorial pela austeridade econômica e uma lei de transparência, boa governança e acesso à informação pública.

Continuidade ou mudança. Assim Rajoy resume as opções dos eleitores espanhóis para o dia 20 de novembro: escolher entre um novo governo socialista após oito anos em que não souberam gerir a crise e a mudança proposta pelo PP.

Apagando pouco a pouco sua imagem de conservador puro e duro, se apresenta como um líder "previsível, patriota, independente, moderado", em contraste com a suposta inconsistência e frivolidade de Zapatero. "De meu pai herdei um sentido muito marcado pelo respeito às regras, o senso de justiça e o esforço", destacou em seu livro intitulado En Confianza.

Popular nas redes sociais Facebook e Twitter, Rajoy encara as urnas com a segurança das intenções de voto favoráveis nas pesquisas, inclusive as que o consideram vencedor do debate tête-à-tête de segunda-feira passada com seu oponente, o socialista Alfredo Pérez Rubalcaba .

Casado e pai de dois filhos, ele é torcedor do Real Madrid e apreciador de ciclismo, se apresenta como um bom pai de família, capaz de tranquilizar seus eleitores e de assumir as rédeas enquanto o "milagre espanhol" não se sustenta. "Seu principal ponto forte é a crise e o desemprego. Sua grande fraqueza, que era ser um homem chato, previsível, acabou se convertendo em sua grande força", comenta Losada.

Apresentando-se como um homem de Estado, chegou a acordos com os socialistas sobre a redução do déficit e comemorou o anúncio do ETA de sua renúncia à violência . Após protestar contra a liberalização do aborto e o casamento homossexual, se mantém ambíguo sobre suas intenções.

Segundo seu principal rival, Rubalcaba, "se for levar em conta o que ele tem na cabeça, nem seus próprios eleitores lhe darão o voto". Ele é acusado de ter feito uma oposição pouco responsável ao governo, sobretudo nos dois últimos anos da crise econômica, e de não ter ajudado o Executivo a defender a imagem da Espanha no exterior diante das turbulências nos mercados financeiros.

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Apesar dos anos dedicados à política, seu grande périplo começou em setembro de 2003 logo após ser indicado - sob proposta de Aznar - como "sucessor" do ex-primeiro-ministro pelo Comitê Executivo do PP. Após ser derrotado por Zapatero em 2004, buscou enfatizar sua personalidade de resistente, ao superar uma forte crise interna no PP, marcada por membros da linha-dura do partido que reivindicavam mudanças ideológicas na direção da legenda e questionaram sua liderança.

Resistiu graças ao apoio de uma equipe leal, baseada em duas mulheres: María Dolores de Cospedal, "número dois" do partido e atualmente presidente regional de Castela-La Mancha, e Soraya Sáenz de Santamaría, porta-voz parlamentar do líder. Entre suas paixões, gosta de ler romances históricos e ouvir música dos anos 1970.

Quase perdeu a vida aos 27 anos devido a um grave acidente de carro, que o levou a cultivar a barba para esconder as cicatrizes. Em 1º de dezembro de 2005, levou outro grande susto, quando o helicóptero em que estava caiu em Madri, mas ficou levemente ferido.

"Eu tomo as decisões quando acredito que é preciso tomá-las", disse Rajoy em uma entrevista que concedeu junto com sua esposa "Viri", Elvira Fernández. A entrevista, acompanhada de fotos de seus dois filhos, apresentava a imagem de um marido e pai atento, com um grande senso do humor.

Mas, assim como seu rival socialista Alfredo Pérez Rubalcaba, sua paixão pelo esporte não o impede de reconhecer a apreciação pelos cigarros "a um preço estratosférico".

Com AFP e EFE

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