Favorito à indicação democrata, Obama ainda enfrenta o fator racial

Apesar da vitória de Hillary Clinton na Virginia Ocidental, Barack Obama segue sendo o favorito da corrida à indicação democrata e continua recebendo novos apoios, mesmo com dificuldades para convencer os americanos brancos de origem modesta.

AFP |

Obama recebeu nesta quarta-feira o apoio de três "superdelegados" do Partido Democrata, cujos votos serão decisivos na escolha do candidato que enfrentará John McCain em novembro. Hillary Clinton, por sua vez, recebeu o apoio de apenas um "superdelegado".

Obama também recebeu o apoio do Naral, a principal organização de defesa do direito ao aborto nos Estados Unidos, e de três ex-presidentes da SEC, a autoridade americana de regulação dos mercados, entre eles William Donaldson, ex-membro do governo de Ronald Reagan e presidente da SEC de 2003 a 2005, durante o mandato de George W. Bush.

"Os resultados da Virginia Ocidental não comprometem as chances de Obama de conquistar a indicação democrata", considerou nesta quarta-feira Patrick Healy, jornalista político do New York Times.

Porém, acrescentou, "para Obama, os resultados da Virginia Ocidental são preocupantes". "Se as pesquisas de boca-de-urna em outros estados mostraram que muitos partidários de Hillary, entre eles muitos brancos, o apoiariam em novembro, mais da metade dos eleitores da Virginia Ocidental anunciaram que ficarão insatisfeitos se Obama ganhar a indicação", analisou o jornalista.

O fator racial foi determinante para os eleitores da Virginia Ocidental. Dois eleitores brancos em cada 10 admitiram que esse fator influenciou sua escolha, e oito eleitores brancos em cada 10 explicaram que apoiaram Hillary Clinton por causa do fator racial.

A ex-primeira-dama ganhou terça-feira a primária da Virginia Ocidental com 67% dos votos, contra apenas 26% para Obama. Foi seu melhor resultado desde o início.

Em um e-mail enviado nesta quarta-feira a seus partidários, Hillary Clinton afirmou que permanecerá na disputa até o fim do ciclo das prévias.

A última esperança de Hillary Clinton é a contagem dos delegados de Flórida e Michigan, dois estados em que venceu mas cujos resultados foram invalidados pela direção do Partido Democrata porque as primárias foram realizadas antes da data autorizada. Se os delegados destes dois estados forem contabilizados, serão necessários 2.209 delegados para conquistar a indicação.

Hillary também espera convencer os "superdelegados" de que ela é a única capaz de conquistar os estados-chaves que farão a diferença em novembro. Entre estes estados estão Flórida e Michigan mas também Ohio, Pensilvânia e Virginia Ocidental, todos vencidos por ela.

Em visita nesta quarta-feira ao Michigan, o senador de Illinois se encontrou com operários da indústria automobilística e defendeu a renovação da indústria manufatureira americana. Colocando-se na perspectiva da eleição de novembro, Obama nunca citou o nome de Hillary e reservou suas críticas a McCain, a quem acusa de "querer dar continuidade à política de George W. Bush, que fracassou".

De acordo com uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, tanto Obama como Hillary ganhariam seu duelo contra McCain. Segundo o estudo, Obama tem 7 pontos de vantagem em relação a McCain (47% contra 40%), e Hillary conta com uma vantagem de 5 pontos (46% contra 41%).

Leia mais sobre: eleições nos EUA

    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG