Atual presidente garante influência no Twitter e Facebook na primeira campanha presidencial 2.0 na Argentina

A atual presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, favorita nas pesquisas de intenções de voto para as próximas eleições do dia 23 de outubro, também domina as redes sociais. "Cristina é, de longe, a candidata mais citada nas mídias sociais, seguida pelo governador socialista Hermes Binner, da Frente Ampla Progressista", informou uma pesquisa realizada pelo The Real Time, empresa argentina que analisa tudo o que é dito em redes como Twitter, Facebook, entre outras.

Cristina Kirchner fala sobre vitória nas primárias (15/8)
AFP
Cristina Kirchner fala sobre vitória nas primárias (15/8)

De acordo com Laura Cambra, diretora-executiva do grupo de pesquisa, Cristina é a candidata com maior repercussão, não só por ser presidente, mas porque provoca maior volume de notícias. Por exemplo, o comentário feito por Cristina sobre a morte de Steve Jobs, fundador da Apple, refletiu enormemente no Twitter.

Essa militância virtual é feita por grupos como o PJ Digital, fundado em 2009 e com uma estrutura bem definida e ativa em diversos sites da internet. "O ativismo de Binner e do atual governo nas mídias sociais é notório, embora o primeiro tenha menos recursos", afirmou Laura. Ela acrescentou que os demais candidatos têm uma presença "menos articulada e organizada" nas redes.

"Em geral, as equipes de campanha se sucumbiram às redes sociais, porque essas têm cada vez maior alcance, a maioria do eleitorado tem perfis nesses sites, além disso, muito do que acontece nas redes é repercutido nos meios tradicionais de comunicação", explicou Laura.

O diretor da Latinstock Digital, Joaquín Bachrach disse também que o peso dos jovens nessa eleição, que representam um terço dos 28,6 milhões de argentinos entre 18 e 35 anos, também tem a ver com a utilização pelos políticos dessa nova era 2.0

Para o especialista em marketing digital Darío Diament, criador do site Políticos Online, esse ano, a maneira de fazer política na Argentina mudou, com uma campanha 24 horas por dia nas redes. "Não exite mais uma campanha que começa algumas semanas antes da eleição, mas uma campanha permanente. Graças às redes há uma participação política muito maior do que antes", detalhou o especialista.

O site Políticos Online possui um ranking dos candidatos presidenciais argentinos de acordo com seu nível de influência no Twitter e no Facebook, em uma escala de zero a 100 que combina diversas variáveis, como a quantidade de seguidores, o grau de atividade nas redes e as repercussões geradas. Cristina Fernández de Kirchner lidera essa lista, com 77,75 pontos e 649.114 seguidores.

Em seguida está Binner, com 68,94 pontos e 29.477 seguidores; Ricardo Alfonsín, com 66,83 pontos e 56.446 seguidores; e o candidato pelo Compromisso Federal e governador da província de San Luis, Alberto Rodríguez Saá, com 62,06 pontos, 3.547 seguidores e uma campanha que se baseia, entre outras, na promessa de "Wi-Fi para todos". Com menor influência (56,37 pontos), Eduardo Duhalde tem 30.145 seguidores nas mídias sociais.

Os argentinos que usam as redes - quase 1 milhão no Twitter e 16 milhões no Facebook - são apenas uma parcela da população total e têm características especiais - urbanos, com acesso a internet e majoritariamente jovens. Portanto, mesmo que um candidato tenha um alto índice de influência nas redes sociais não significa necessariamente que seja o mais votado.

Mas, segundo Diament, nas eleições primárias de agosto houve uma "correlação" entre os que se posicionaram no ranking e o resultado nas urnas, o que poderia se repetir no dia 23 de outubro.

Isso foi comprovado pela última pesquisa divulgada na sexta-feira que afirma que a presidente será reeleita no primeiro turno com 53% dos votos. Kirchner conta exatamente com 53,1 % das intenções de voto, com ampla vantagem sobre Binner, que tem 16,6 %, segundo pesquisa da Giacobbe e Associados.

Na terceira posição está o governador da província de San Luis, Alberto Rodríguez Saa (peronismo opositor), com 10,2%, seguido pelo líder radical Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín, com 9,1%. O quinto e último colocado na pesquisa é o ex-presidente Eduardo Duhalde, com 7,9%.

Cristina Kirchner precisa de 45% dos votos ou de 40% e dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado para se reeleger no primeiro turno.

Com AFP e EFE

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