Fatah: "Saramago mostrou ao mundo que causa palestina é universal"

Partido nacionalista lamentou a morte do escritor, que em 2002, chegou a comparar os territórios palestinos com Auschwitz

EFE |

Jerusalém - O chefe do Comitê de Relações Internacionais do partido nacionalista Fatah, Nabil Shaath, lamentou a morte ontem do escritor português José Saramago, de quem disse que "mostrou ao mundo que a causa palestina é universal". "O companheiro José Saramago mostrou ao mundo que a causa palestina é universal e pode ser assumida por qualquer um que queira aderir aos princípios de liberdade, igualdade, paz e justiça. José foi um deles e se foi como um de nós", afirmou o destacado funcionário e ex-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Shaath também enviou suas condolências a sua família e amigos e ressaltou o trabalho de solidariedade de Saramago com a causa palestina. "O nome de José Saramago foi escrito com letras de ouro na história do movimento de solidariedade com o povo palestino, e estamos confiantes em que o exemplo dado por gente como ele há de derivar mais tarde que cedo em conseguir o objetivo de um Estado palestino independente com Jerusalém como capital", disse.

O prêmio Nobel de literatura visitou os territórios palestinos na primavera de 2002, como parte de uma delegação de oito literatos do Parlamento Internacional de Escritores. Acompanhados pelo poeta palestino por excelência, o falecido Mahmoud Darwish, o Parlamento de Escritores expressou sua solidariedade contra as condições de humilhação nas quais vive a população palestina, em geral, e seus escritores em particular.

Em entrevista coletiva na cidade cisjordaniana de Ramala, Saramago comparou as ações do Exército israelense nos territórios palestinos com o que sofreram os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, no campo de concentração de Auschwitz. "É o mesmo, embora levemos em conta as diferenças de espaço e tempo", afirmou o escritor português na qual foi sua primeira visita à região, o que despertou a ira do Governo israelense.

Essa comparação causou também a indignação de alguns dos jornalistas que cobriam a entrevista coletiva, entre eles a reconhecida jornalista israelense Amira Hass, do jornal progressista "Haaretz", que costuma defender a causa palestina em seus artigos. Perante a indignação dessa profissional, o escritor português ressaltou que a única diferença entre ambos os casos é que no dos palestinos não existem câmaras de gás, como ocorreu em Auschwitz, onde o regime nazista de Hitler assassinou mais de um milhão e meio de pessoas, uma grande parte deles judeus.

    Leia tudo sobre: iGsaramagoisarelfatah

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG