Fatah reelege Mahmud Abbas à frente do partido

O Fatah reelegeu neste sábado o presidente palestino, Mahmud Abbas, para que continue à frente do partido, no quinto dia do primeiro congresso que a formação realiza em 20 anos.

AFP |

A eleição da chefia do partido, assim como a escolha dos 21 membros do novo Comitê Central e dos 120 do novo Conselho Revolucionário, apesar de previstas para sexta-feira, sofreram um atraso para este sábado devido às inúmeras candidaturas apresentadas.

Em uma breve declaração, Abbas se comprometeu em "libertar a terra da Palestina e seu povo da ocupação israelense".

"Nós dizemos a todo o mundo que o Fatah é portador de um projeto nacional e de uma visão clara da questão palestina. Nós começamos uma batalha e a terminaremos com a criação de um Estado independente", afirmou.

Ao inaugurar o congresso na terça passsa, Abbas admitiu os erros que enfraqueceram o grupo.

"Devido ao bloqueio do processo de paz (com Israel), mas também por culpa de nossos erros, alguns de nossos comportamentos rejeitados pelo povo, nossos poucos resultados, nosso afastamento do sentimento das ruas e nossa falta de disciplina, perdemos as eleições legislativas (em 2006) e depois perdemos Gaza", declarou Abbas ante os delegados de seu partido.

"Estivemos a ponto de perder o que restava da Autoridade Palestina, mas resistimos, aguentamos e tomaos iniciativas. Preservamos a Autoridade em vez de entregar tudo à ocupação (israelense) e trabalhamos dia e noite para restabelecer a segurança (na Cisjordânia), quando esta tarefa parecia impossível", acrescentou.

Fundado em 1959 pelo hoje falecido líder histório Yasser Arafat, o Fatah monopolizava o poder dentro da Autoridade Palestina desde 1994 antes de ser derrotado nas legislativas de 2006 pelos islamitas do Hamas que o expulsaram à força de Gaza em junho de 2007.

O Fatah é também tido por muitos palestinos como responsável pela corrupção e a insegurança nos territórios palestinos antes de a Autoridade palestina decidir combatê-los seriamente nos últimos anos.

O Congresso será apenas o sexto do Fatah, o último tendo sido realizado em Túnis, em 1989.

Hoje, o Fatah controla somente a Cisjordânia e sua linha política pregando um acerto negociado do conflito com Israel após anos de luta armada não para de perder credibilidade por falta de avanço nas negociações de paz.

As querelas internas do Fatah, que contribuíram para o declínio do movimento, aumentaram nas últimas semanas quando seu secretário geral e um dos fundadores Faruk Kaddumi acusou publicamente Abbas de ter armado um complô com Israel para eliminar Yasser Arafat.

Kaddumi, que vive em Túnis, era hostil à realização deste Congresso na Cisjordânia, onde ele nunca colocou os pés desde à ocupação israelense em 1967.

Os preparativos do Congresso foram perturbados pela recusa do Hamas de autorizar os 400 delegados do Fatah de Gaza a ir para a Cisjordânia.

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