Jerusalém, 6 ago (EFE).- O movimento nacionalista palestino Fatah decidiu hoje estabelecer uma comissão para investigar a morte de seu histórico líder, Yasser Arafat, em 2004, com a premissa de que se tratou de um assassinato, cujo responsável foi Israel.

A decisão foi determinada em uma resolução que pede ajuda internacional nas investigações da comissão, cuja criação foi aprovada no terceiro dia do sexto congresso do Fatah, que acontece na cidade cisjordaniana de Belém.

Segundo fontes da conferência, a comissão colocará um fim à sucessão ininterrupta de especulações e versões contraditórias sobre o falecimento de Arafat, em Paris, aos 75 anos.

De acordo com a equipe médica que o atendeu na capital francesa - para onde foi transferido de Ramala, na Cisjordânia e sede da Autoridade Nacional Palestina (ANP), pouco antes de sua morte -, Arafat morreu em decorrência de uma rara infecção no sangue.

Essa versão não deu fim à especulação de que o histórico líder tenha sido envenenado, em uma conspiração envolvendo os serviços secretos israelenses e cúmplices próximo a Arafat.

A especulação foi retomada no mesmo ano, pelo também histórico dirigente do movimento Farouk Qadumi, atualmente dissidente e que acusou o sucessor de Arafat à frente do Fatah e da ANP, Mahmoud Abbas, de participar da suposta conspiração.

O próprio Abbas se referiu implicitamente, na terça-feira, à acusação de Qadumi ao anunciar, em discurso durante a inauguração do congresso, que a direção do Fatah é "a primeira interessada em saber com exatidão a causa da morte de Arafat".

Abbas advertiu que "ninguém deve se aproveitar da morte de Arafat em benefício próprio e por razões exclusivamente pessoais".

As 2.200 pessoas que participam da conferência em Belém também decidiram hoje prosseguir o debate sobre a gestão da atual direção desde a realização, há 20 anos, do congresso anterior do movimento, em 1989, na Tunísia.

O pedido da chamada "nova guarda", integrada pelas gerações mais novas do Fatah, que a direção apresente um relatório detalhado de sua gestão, exigirá que o congresso se estenda até sábado ou domingo, apesar de o encerramento ter sido previsto para hoje.

Segundo explicou à Agência Efe Mohammed Odeh, candidato a fazer parte do Conselho Revolucionário - uma das instâncias dirigentes cuja composição será renovada no congresso -, o principal objetivo da conferência é fortalecer o Fatah, com o objetivo de reatar as negociações com Israel, para a criação de um Estado palestino.

Odeh disse, no entanto, que "essa negociação não pode ser ilimitada, não pode durar eternamente", em alusão à advertência feita por Abbas, também no início do congresso, de que Fatah aposta pelo diálogo, mas se essa "opção estratégica" fracassar, não descarta "a resistência", em termos de insurreição civil. EFE amg/pd

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