Fatah e Hamas fecham acordo de reconciliação

Os grupos rivais palestinos, Fatah e Hamas, anunciaram nesta quinta-feira que fecharam um acordo de reconciliação que inclui a formação de um governo de unidade nacional até o fim do próximo mês. Este é um dia histórico. Começamos um novo capítulo de unidade e reconciliação, disse o ex-premiê Ahmed Korei, do Fatah.

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Ele disse que foi acertada a formação de cinco comitês conjuntos entre os grupos rivais. Um deles terá a missão de formar um governo de unidade que venha a ser aceito pela comunidade internacional.

Os outros vão tratar de temas como segurança, reconciliação nacional, eleições e o futuro da entidade OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Em tese, as atividades dos comitês terminam com a implementação do governo no próximo mês.

As negociações para aparar as arestas entre os dois grupos foram mediadas pelo Egito. Mais de dez facções palestinas, incluindo o Hamas e o Fatah, foram convidadas para participar das conversas no Cairo nesta quinta-feira.

Na quarta-feira, em um gesto de boa-vontade, o Hamas e o Fatah decidiram libertar prisioneiros pertencentes ao grupo rival. As duas facções também prometeram parar de atacar uma a outra nos meios de comunicação, a fim de fomentar uma boa relação.

Um governo único poderia servir como uma gestão interina durante preparativos para novas eleições presidenciais e legislativas e para coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza.

AP
Azzam al-Ahmed, do Fatah, (direita), e Mahmoud Zahar, do Hamas, conversam durante coletiva de imprensa após reunião

Azzam al-Ahmed, do Fatah, (direita), e Mahmoud Zahar,
do Hamas, conversam durante coletiva de imprensa após reunião

As negociações entre os dois grupos foram interrompidas em novembro de 2008, mas retomadas após a ofensiva militar israelense em Gaza, entre dezembro e janeiro. Segundo fontes palestinas, a ofensiva matou mais de 1,3 mil palestinos e danificou boa parte do território.

A Cruz Vermelha pediu nesta quinta-feira que Israel suspenda o bloqueio a Gaza e disse que muitos palestinos continuam sem água potável, remédios e moradia, um mês após o fim da ofensiva. A organização disse que os esforços de reconstrução só vão ser bem-sucedidos se existir união entre as facções palestinas.

O Hamas foi eleito democraticamente em 2006 pelos palestinos para dirigir o parlamento do país, mas a eleição não foi reconhecida pela comunidade internacional, que exigia que o grupo reconhecesse Israel e renunciasse à violência. Foi então imposto um boicote aos palestinos.

Para obter reconhecimento, o Hamas aceitou a formação de um governo de unidade nacional com o Fatah, mas diferenças entre os dois grupos levaram a violentos confrontos em 2007. O Hamas então assumiu controle de Gaza e o Fatah, da Cisjordânia.

Analistas dizem que estas diferenças ainda não foram resolvidas e a possibilidade de um novo rompimento é ainda bastante real.

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