O presidente palestino, Mahmoud Abbas, abriu, nesta terça-feira, o primeiro dos três dias de congresso do grupo político Fatah dizendo que a organização necessita de um novo começo.

Ele pediu para que os 1,9 mil delegados do partido usem o congresso na cidade de Belém, o primeiro em 20 anos , como "uma plataforma para um novo começo, (para) consolidar nosso esforço para alcançar as metas principais: liberação e independência".

Abbas ocupa a posição de presidente palestino desde a morte de Yasser Arafat, em 2004, e seu partido, o Fatah, vem perdendo terreno político nos últimos anos para o Hamas.


Abbas discursou com imagem de Arafat ao fundo / AP

Em 2006, o Fatah foi derrotado nas urnas pelo rival e, em 2007, um confronto armado entre os dois grupos levou à expulsão do partido de Abbas da Faixa de Gaza.

Correspondentes dizem que um número cada vez maior de palestinos considera o grupo ineficiente e corrupto.

'Mea culpa'

Ao abrir o congresso, Abbas fez uma lista do que chamou dos principais erros recentes do Fatah, como "o impasse no processo de paz, algumas de nossas atitudes que o público rejeita, nosso fraco desempenho, o fato de perdermos contato com o que pensa e deseja a população e nossa falta de disciplina".

Para Abbas, estes foram os motivos que levaram à derrota nas eleições e o conflito com o Hamas.

O correspondente da BBC no Oriente Médio Tim Franks diz que a principal missão do Fatah, partido laico fundado por Arafat, neste congresso é tentar mudar sua imagem de organização anacrônica e corrupta.

Franks afirma que um dos pontos mais importante do encontro deve ser quem os delegados vão eleger para as posições internas de poder do partido.

"Resistência"

Abbas falou também que o partido deseja paz com Israel, mas que se reserva o direito à "resistência", caso as negociações de paz fracassem.

Ele repetiu a posição já explicitada de exigir o congelamento de qualquer atividade de ampliação dos assentamentos judaicos na Cisjordânia como condição para a retomada das negociações de paz com o governo israelense.

No congresso deve ser discutido também o estatuto do Fatah, que menciona a "erradicação" de Israel.

O Hamas proibiu cerca de 400 delegados do Fatah de viajarem para o congresso na Cisjordânia em retribuição à decisão do Fatah de não permitir a volta à Gaza de militantes do grupo.

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