LONDRES - Claro que nos apaixonamos por ele, já estava na hora de um líder mundial despertar esse tipo de sentimento e nao aquele antigo repúdio. Ao dizer isso, o jamaicano David Neita resumiu o sentimento que pairava no ar durante a breve passagem do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, por Londres.

No comeco da manhã deste sábado, as poucas pessoas que se reuniam diante dos portões que fecham a Downing Street, onde fica o gabinete do primeiro-ministro britânico Gordon Brown, pareciam frustradas. Uma reforma impedia a aproximação dos curiosos e prometia estragar a festa de quem foi até lá para tentar ver, ainda que de longe, o senador norte-americano.

"Quem quiser ver Obama, me siga", anunciou repentinamente um entusiasta conduzindo os corajosos a uma entrada lateral, por onde o comboio do candidato chegaria. As calçadas da estreita rua foram preparadas com barreiras para conter uma eventual multidão de torcedores (ou fãs, ambas as palavras retratam bem o sentimento gerado pelo político americano entre seus defensores). A cena lembra um show de alguma banda grandiosa e não faltam camisetas, faixas e gritos para comprovar isso.

Carolina Ribeiro Pietoso

Carolina Ribeiro Pietoso
O jamaicano David Neita

O comboio do candidato chegou por volta das 9h (horário de Londres) sob entusiasmados gritos do pequeno grupo que se encontrava no local. "Yes, we can! Yes, we can!" (Sim, nós podemos! Sim, nós podemos!), repetiam eles, ecoando as palavras de ordem da campanha de Obama. A americana Lindsay Bass mal conteve as lágrimas: "É impressionante ver outras pessoas receberem um político nosso assim, principalmente depois de tantos anos de um antiamericanismo tao forte".

Elizabeth Mukasa, da Uganda, disse ter esperado muito por esse momento. "Estamos aqui porque queremos uma mudança radical na politica externa", ela afirmou. "Nós sabemos que se o presidente dos Estados Unidos mudar, o mundo mudará." Elizabeth mora em Londres há mais de 20 anos, mas diz se preocupar principalmente com a situação dos países mais pobres. "Com um presidente americano que favoreça o a política externa, nossos países poderão pensar em produzir mais e crescer."

Carolina Ribeiro Pietoso

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Elizabeth Musaka (com os livros) e família

"Há 40 anos, Martin Luther King foi assassinado e 40 anos é uma data significativa. Eu acredito que saíremos do assassinato para a ascensão da humanidade a partir da eleição de Obama", disse Neita, da Jamaica. "Eu apóio a política de Obama há muito tempo e acredito que ele irá mudar o mundo."

A inglesa Asmerit Semere disse fazer parte de um grupo de apoio ao candidato no Reino Unido. "Já temos mais de 500 participantes e iremos realizar a maior convenção a favor do candidato fora dos Estados Unidos para apoiar nossos irmãos americanos em agosto", ela afirmou. "Precisamos nos envolver. Os EUA decidem muito sobre o mundo, o mundo deve poder se envolver nas decisões americanas também."

Carolina Ribeiro Pietoso

Carolina
A inglesa Asmerit Semere

No final da manhã, pelo menos uma centena de pessoas se reuniam à espera da saída do candidato. O número surpreendeu o irlandês David McDowell: "Acho engraçado o medo que as pessoas têm de se comprometer politicamente. Elas fazem passeata contra Bush, mas na hora de se manifestar a favor da mudança preferem ficar em casa dormindo. Entendo que os ingleses são receosos, mas eu esperava uma presenca maior das pessoas. Como em Berlim, onde as pessoas se organizaram."

O comboio do candidato passou rapidamente por ali e os vidros escuros impediram que a multidão pudesse vê-lo. "Eu não me arrependo de ter vindo. Sei que ele agora sabe que aqui também tem gente a seu favor", disse Mukasa.

Na multidão, um cartaz afirmava confiante: "Obama, você é um raio de esperança para milhões de pessoas".

A visita

Obama defendeu sua decisão de viajar à Europa e ao Oriente Medio dizendo que os problemas enfrentados pelos americanos são mais bem resolvidos em conjunto com seus aliados estrangeiros.

AP/Kirsty Wigglesworth
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Obama saúda fãs na Inglaterra

"O motivo que me faz achar essa viagem importante é que estou certo de que muitos problemas que enfrentamos em casa não serão solucionados eficazmente a menos que tenhamos parcerias fortes no exterior", ele disse.

Obama disse ainda que ele e Brown discutiram diversos assuntos, como a mudanca climática, o terrorismo e os mercados financeiros.

"A ênfase do primeiro-ministro, como a minha, está em como podemos fortalecer o relacionamento transatlântico para solucionar problemas que não podem ser resolvidos por nenhum país isoladamente", ele disse.

O candidato parecia tranqüilo ao caminhar até o numero 10 da Downing Street, parando rapidamente para saudar dois surpresos policiais que estavam ao lado da porta. Ele sorriu para as câmeras e disse "olá" antes de ser recebido por Brown.

Obama não pode ser recebido diante da casa pois o protocolo ditava que fosse tratado da mesma forma que o republicano John McCain, que passou pelo país em março.

Antes, ele se encontrou com o ex-primeiro-ministro Tony Blair, que agora se dedica ao Oriente Medio. O encontro durou cerca de meia hora.

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