Rio de Janeiro, 17 abr (EFE).- O laboratório estatal Farmanguinhos, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, lançou hoje um novo remédio para combater a malária e que será distribuído na América Latina e na Ásia, fruto de uma iniciativa brasileira e internacional.

O novo produto foi apresentado na cidade do Rio de Janeiro pela Farmanguinhos e pela Iniciativa de Remédios para Doenças Negligenciadas (DNDi, em inglês).

Em comunicado da DNDi, o tratamento denominado ASMQ (combinação em dose fixa das substâncias artesunato e mefloquina) foi explicado como sendo o primeiro novo produto contra a malária criado na América Latina e feito para esta região e para a Ásia.

Também se estuda a possibilidade de usar o ASMQ na África, onde há hoje em dia cerca de 300 milhões de casos da doença.

A América Latina possui aproximadamente um milhão de casos de malária - dos quais 250 mil são da variedade falciparum, a mais agressiva e potencialmente fatal -, enquanto que o Sudeste Asiático tem mais 1,5 milhão de ocorrências da doença.

Segundo o comunicado, em um tratamento conjunto com a substância artemisinina, o ASMQ "demonstrou eficácia" no combate à malária tanto na América Latina quanto no Sudeste Asiático nos últimos anos.

"Este é um dos quatro Tratamentos Combinados com Artemisinina (TCA) recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para combater a malária falciparum na Ásia e América Latina", explicou o DNDi.

O tratamento completo de três dias de ASMQ tem preço previsto de US$ 2,50 por paciente adulto, valor muito inferior ao do tratamento convencional de sete dias a base de quinino.

Segundo estudos, o tratamento baseado no quinino provoca efeitos colaterais e, se não for completado, pode provocar recaídas e tornar a malária mais resistente.

A Farmanguinhos, responsável por produzir remédios genéricos anti-retrovirais distribuídos gratuitamente no Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, fabricará e distribuirá o ASMQ.

Os remédios contra a malária são fornecidos à população principalmente pelos Governos dos países afetados, motivo pelo qual o ASMQ foi definido como "um bem público disponível a preço de custo".

O desenvolvimento do remédio custou 7,8 milhões de euros e foi financiado em conjunto pela União Européia (UE), pelos Governos de França, Espanha, Holanda e Reino Unido, pela organização Médicos Sem Fronteiras, além de contar com contribuições da Farmanguinhos.

Separadamente ou combinados, o artesunato e a mefloquina já foram avaliados em estudos de campo durante 16 anos em zonas onde a malária é endêmica.

Segundo o comunicado do DNDi, a vantagem do novo remédio é que oferece doses fixas, mais fáceis de usar e também adaptáveis para crianças, as principais vítimas da malária em escala mundial.

O Ministério da Saúde realiza há um ano um estudo na Bacia Amazônica com 17 mil pacientes, dentro do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária.

Os resultados preliminares da pesquisa mostram que o uso do ASMQ provocou uma queda de 70% nos casos de malária entre os pacientes estudados. EFE ol/bba/fb

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