Fariñas critica Igreja por não realizar missa por dissidente cubano

Havana, 19 abr (EFE).- O dissidente político cubano Guillermo Fariñas agradeceu hoje ao arcebispo de Havana por seu pronunciamento pela greve de fome que cumpre há 55 dias, mas reprovou o fato de a Igreja Católica ter realizado uma missa quando Fidel Castro adoeceu, e não em memória do também ativista Orlando Zapata.

EFE |

"Agradeço por ele ter se manifestado de maneira pública sobre esse conflito", disse Fariñas à Agência Efe em referência às declarações do cardeal Jaime Ortega publicadas nesta segunda-feira na revista católica digital "Palavra Nova".

Ortega insistiu em reiterar a Fariñas seu pedido para que abandone a greve de fome e de sede, embora o psicólogo opositor ao regime cubano tenha afirmado que se "orgulha" de manter essa decisão.

"Fiquei chocado por ele (o cardeal Ortega) ter feito uma missa quando Fidel Castro adoeceu e por não não ter sido capaz de fazer uma missa póstuma quando morreu nosso irmão Orlando Zapata Tamayo", afirmou o dissidente, que realiza sua greve de fome número 23.

Na opinião de Fariñas, este é um momento "não de conciliar, mas de se colocar a favor das vítimas ou de vitimá-las. Os que as vitimam são os que têm o poder, e as vítimas são os que não o têm", disse o ativista em entrevista por telefone desde um hospital da cidade de Santa Clara, onde está internado há mais de um mês.

"Com todo o respeito, nos subordinamos fundamentalmente à Santa Bíblia e a Jesus Cristo, que disse que o maior prazer é dar a vida por seus quem se ama", acrescentou.

Segundo a mãe do dissidente, Alicia Hernández, o estado de saúde de Fariñas é grave.

O psicólogo e jornalista de 48 anos começou sua greve de fome e sede em 24 de fevereiro, depois da morte de Orlando Zapata, que estava em jejum de 85 dias para exigir ao presidente cubano, Raúl Castro, a libertação de 26 opositores doentes. EFE.

rmo/id

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG