Fariñas começará a tomar sucos e caldo após sair da greve de fome

Suspensão de protesto de dissidente cubano ocorre após Igreja anunciar que Cuba libertará em até quatro meses 52 presos políticos

iG São Paulo |

O dissidente cubano Guillermo Fariñas começará nesta sexta-feira a ingerir por via oral sucos, caldo e gelatina após sua decisão de sair da greve de fome que manteve durante mais de quatro meses para pedir a liberdade de presos políticos doentes. 

Alicia Hernández, mãe de Fariñas, explicou que a equipe médica que atende seu filho no hospital de Santa Clara, onde está internado desde 11 de março, decidiu incorporar em sua dieta desde esta sexta-feira esses alimentos depois que Fariñas começou a beber água na quinta-feira. Os especialistas devem comprovar como Fariñas tolera essa dieta antes de passar à alimentação sólida.

Previsivelmente, o dissidente permanecerá hospitalizado até que se normalize seu estado de saúde, que continua sendo "de grave a crítico", por causa do surgimento de uma trombose na jugular , região em que lhe tinha sido aplicado um cateter para receber alimentação parenteral.

Hernández comentou que seu filho passou uma má noite por causa das dores causadas por um hematoma que apresenta na coxa, apesar do especialista que o examinou na manhã desta sexta-feira não ter visto nada de grave na região. Fariñas está sem febre, e com os sinais vitais normais, mas com muita dor articular, segundo Alicia Hernández.

Libertação de 52 presos

A decisao de Fariñas de suspender a greve de fome e sede para pedir a libertação de 26 presos políticos com problemas de saúde foi tomada um dia depois de a Igreja Católica anunciar que o governo cubano aceitou libertar em até quatro meses 52 prisioneiros .

Cinco dos prisioneiros seriam libertados em breve e transferidos à Espanha para viver com suas famílias. Em nota, a Igreja informou na quinta-feira que os primeiros a serem libertados serão Antonio Villareal Acosta, Lester Gonzalez Pentón, Luis Milan Fernández, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco Avila. Os outros 47 serão soltos gradualmente nos próximos quatro meses.

Fariñas iniciou a greve de fome em 24 de fevereiro, pouco depois da morte do prisioneiro político Orlando Zapata , depois de 85 dias de greve de fome.

A líder da organização Damas de Branco - que reúne familiares de opositores políticos presos em Cuba desde 2003 -, Laura Pollán, considerou nesta sexta-feira "um milagre" o anúncio das libertações de 52 detidos e o final da greve de fome de Fariñas.

"No próximo domingo, como já é habitual, estaremos em frente à igreja Santa Rita, em Havana, para dar graças a Deus por esses acontecimentos", explicou a ativista em entrevista à Ansa.

De acordo com Pollán, o momento mais gratificante vivido por ela nas últimas horas foi ver Fariñas, após mais de quatro meses de protesto, "deixar sua greve de fome e sede e tomar um primeiro copo de água" no hospital da cidade de Santa Clara.

"Nos sentíamos responsáveis pelo que poderia ocorrer a Fariñas. Não poderíamos nos dar ao luxo de perdê-lo", disse a líder das Damas de Branco.

Sobre a organização - que surgiu para pedir as libertações dos 75 presos julgados e condenados há sete anos por "atuar como mercenários a favor dos EUA" e são considerados criminosos comuns pelo governo cubano -, Pollán afirmou que "seguirá pedindo" a soltura de todos os demais presos políticos.

"Para nós ocorreu um milagre, porque as libertações foram justamente nosso objetivo político", explicou em sua casa, no centro de Havana.

*Com EFE, AFP e Ansa

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